Que tal uma biblioteca no terreiro?

biblioteca no terreiro

O Centro de Umbanda “O Barracão de Pai José de Aruanda” sempre prezou muito pelo conhecimento de seus membros, seja através de cursos e camarinhas para médiuns e frequentadores ou até mesmo um “catecismo” voltado para os mais pequenos. Sendo assim, a ideia de se montar uma biblioteca com títulos voltados ao nosso tema religioso caiu como uma luva.

Como surgiu a ideia?

Foi em meados de 2012 que surgiu o primeiro passo, uma doação de livros espíritas conseguida pela filha Ediana, livros que vieram de um centro kardecista, com muitos exemplares bem velhinhos e empoeirados.

A filha de santo Carla Alencar, que sempre teve papel atuante nos movimentos do terreiro, resolveu restaurá-los, catalogá-los e tentar começar um movimento entre os filhos da casa, estes alugavam os livros por um valor simbólico, o que propiciou verbas para começar a comprar novos títulos.

“Queríamos ter condições de comprar nossos próprios exemplares, que pudéssemos investir em livros de nossa própria religião, mais específicos, já que na época nossa única “Bíblia Sagrada” acessível era o livro Umbanda de Barracão, de autoria de nosso Babá, que sempre foi o livro mais procurado até então” comenta Carla.

Um dos maiores entraves era a organização e o controle das locações, pois não existia ainda um computador e tudo era feito à mão, em folhas de caderno. Uma das filhas que ajudou bastante nesta fase foi a Giane Marques, ela comenta que não é fácil organizar uma biblioteca no terreiro, uma vez que o tempo para atender os sócios é pequeno, somente no dia dos trabalhos e nos momentos que antecedem o início da gira, dessa forma, é preciso dedicar dias paralelos para conseguir dar conta do recado.

As doações de tempo, esforço e livros não pararam por aí.

“Pouco mais de dois meses depois da primeira doação, a Ana Correa indicou o nosso terreiro para um centro espírita que estava fechando as portas e foi aí que, com a doação de mais livros espíritas, juntamos uma média de 450 livros na biblioteca. Se não tivéssemos feito uma doação recente dos livros mais voltados para o kardecismo, era para estarmos com mais de 600 livros” completa Carla ao mencionar mais uma grande colaboração.

Com o movimento da biblioteca muitos filhos passaram a colaborar, seja com doações ou com mão de obra, fazendo com que o volume aumentasse significativamente, seria difícil citar todos que ajudaram nessa matéria e correríamos o risco de deixar alguém de fora.

Para finalizar fizemos a seguinte pergunta para a filha Carla Alencar:

O que você diria para uma pessoa que queira fazer a mesma coisa pelo seu terreiro?

Resposta: Diria que é primordial a gente ter um maior entendimento sobre a religião, é claro que nossos amados guias espirituais nos ensinam e muito, mas devemos sim, ter um conhecimento maior sobre o começo, sobre a história em si da nossa religião. Eu aprendi com o meu pai de santo que a única coisa que vou levar daqui desse plano é o conhecimento, isso eu adquiro e ninguém pode tirar de mim, pensando assim vejo que é prazeroso trabalhar com os livros, ver outras pessoas crescendo, evoluindo, não é uma coisa feita somente para você, todos a sua volta  vão aprender junto, basta usa-los, e eles estão lá para isso, para serem desbravados, entendidos, enriquecer até nosso vocabulário. Com a tal da internet hoje, ficamos preguiçosos para escrever, usando diminutivos e abreviações em palavras, quando precisarmos escrever mais formalmente se quer iremos lembrar de como é a forma correta, o livro não nos deixa esquecer o quão rica é a nossa língua portuguesa, e ler sobre aquilo que se gosta torna tudo mais fácil.

Fonte: Giras de Umbanda

Escavações revelam relíquias de precursor do candomblé

Foi na Avenida Prefeito Braulino de Matos Réis, no número 360, na Vila Leopoldina, em Caxias, na Baixada Fluminense, que o terreiro de Joãozinho da Gomeia abriu suas portas. O famoso babalorixá foi precursor do candomblé no Rio. Frequentado por celebridades nas décadas de 50 e 60, como o presidente Juscelino Kubitschek, o local, que deve virar um centro cultural em breve, esconde relíquias que estão sendo descobertas numa escavação arqueológica.

— Meu interesse por Joãozinho começou em 2012, quando participava de um projeto no Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), levantando referências culturais para o registro do candomblé como patrimônio imaterial do Rio — explica o antropólogo e doutorando em arqueologia pela UFRJ, Rodrigo Pereira, chefe das escavações.

Quando foi conhecer a área onde ficava o famoso terreiro, o cientista encontrou um terreno baldio: — O Joãozinho virou meu objeto de estudo no doutorado.

chao-terreiro-gomeia-2

Foram duas semanas de escavações com a ajuda de estudantes da pós-graduação em arqueologia do Museu Nacional e de funcionários da Prefeitura de Caxias. A busca revelou surpresas.

— Não sabia se ia encontrar muita coisa, o espaço estava degradado. Mas foram achados fios de contas, cerâmicas, objetos de jogo de búzios, cachimbos, telhas de amianto e garrafas de vidro. O Joãozinho tinha um trabalho social de doação de remédios para moradores — comenta Rodrigo.

Para o antropólogo, o resgate da memória é fundamental para a história do local e de Joãozinho. E também ajuda no debate sobre a intolerância religiosa:

— Estamos felizes porque, mesmo com a destruição do terreiro, ele ainda guarda muito da memória do espaço. Ainda é preciso discutir a intolerância, muito forte aqui no estado. Tem sido um trabalho rico.

joaozinho-escavacao-caxias-3

A dona de casa Maria Auxiliadora Palmeira, de 55 anos, mora em frente ao terreno e conheceu Joãozinho da Gomeia quando era criança.

— Minhas irmãs e eu éramos curiosas, a gente gostava de saber como era lá dentro. Na época, o bairro era muito movimentado, ficava cheio de carro de artista parado aqui — lembra ela: — Joãozinho morreu quando eu tinha 12 anos. Lembro dele como uma pessoa do bem.

A primeira etapa das escavações foi finalizada na última sexta-feira. Os trabalhos terão continuidade no primeiro semestre do ano que vem, onde serão feitas mais duas pesquisas de campo no local onde ficava o terreiro de Joãozinho.

Futuro centro cultural

escavacao-terreiro-4

A Secretaria de Cultura de Caxias quer criar um centro cultural no terreno. O secretário Jesus Chediak disse que a ideia é o local oferecer oficinas de artesanato e gastronomia, venda de livros e de produtos culturais de países africanos de língua portuguesa.

— É importante valorizarmos as matrizes africanas que estão presentes na vida dos caxienses — afirma.

O projeto inclui um espaço multimeios, com teatro e uma sala dedicada a Joãozinho da Gomeia.

— Estamos trabalhando as ideias para viabilizar a construção em breve. Será feito um edital, onde arquitetos de países africanos darão sua contribuição — explica Chediak: — Queremos um centro cultural para fazer parte do roteiro turístico do Rio.

O baiano Joãozinho criou fama ao difundir o candomblé pelo Brasil usando a mídia. Dançarino do Cassino da Urca e homossexual assumido, chegou a Caxias nos anos 40. Ganhou o apelido Rei do candomblé da rainha Elizabeth II, durante a apresentação de um balé afro. Morreu em 1971 com tumor no cérebro e problemas cardíacos.

Fonte: http://extra.globo.com

Empresa de ônibus discrimina espíritas no Rio

intolerância

O vereador Átila Alexandre Nunes denunciou mais um caso de intolerância religiosa no Rio de Janeiro.

Passageiros da linha de ônibus (815-Taquara-Boiuna) da Viação Santa Maria, acusam o gerente de discriminar os frequentadores da instituição espírita Frei Luis. A linha, que funciona normalmente com 10 veículos, passa a ter só 2 às quartas-feiras, quando aumenta o número de usuários em razão das sessões no Lar Espírita Frei Luiz.

Às quartas-feiras, por causa dos poucos veículos, formam-se filas quilométricas de frequentadores do centro espírita. Funcionários da Viação Santa Maria disseram ao vereador Átila Alexandre Nunes que o gerente é evangélico e parte dele a ordem da retirada dos carros às quartas-feiras, quando aumenta o número de usuários por causa da grande frequência no Lar Frei Luiz.

Átila A. Nunes se reunirá com o Secretário de Transportes e convocará o proprietário da Viação Santa Maria. Caso se confirme o preconceito religioso e o boicote continue, denunciará o gerente e a empresa ao Ministério Público.

A ação do MSF em Campos de Refugiados no Iraque

MSF

A Globo News tem mostrado no programa Que Mundo É Esse?​, apresentado por André Fran​, Felipe Ufo​ e Michel Coeli​, uma realidade ignorada por muitos em uma visita campo de refugiados no Curdistão iraquiano, as vítimas de perseguição do Estado Islâmico.

Essa crise humanitária resultou em um influxo massivo de refugiados para o Iraque. De acordo com a agência para refugiados da ONU, mais de 200 mil sírios cruzaram a fronteira para a região do Curdistão iraquiano até a segunda metade de 2013. As fronteiras estão abertas de forma intermitente e mais de 50 mil refugiados chegaram em apenas alguns dias, em meados de agosto. Em setembro, MSF abriu uma clínica de saúde oferecendo cuidados de saúde básica e mental no campo de Kawargosk, província de Erbil, que abriga 12.500 refugiados. Uma clínica móvel em operação a partir do fim de setembro no campo de Qushtapa (3 mil refugiados), também na província de Erbil, foi repassada para o Departamento de Saúde em dezembro de 2013.

Mais de 18.900 consultas foram realizadas com refugiados, sendo que 30% eram crianças com menos de cinco anos. Infecções respiratórias foram a causa principal das consultas, considerando todas as faixas etárias.

MSF também é a principal provedora de cuidados de saúde no campo de Domeez. Inicialmente projetado para receber mil famílias, a população do acampamento já chega a 45 mil pessoas. Apesar dos esforços das autoridades locais, os serviços oferecidos no acampamento não acompanham o crescimento das necessidades e a superlotação e as condições de vida precárias levaram à deterioração da saúde das pessoas. A cada semana, MSF realiza cerca de 2.400 consultas médicas. Muitos pacientes sofrem com infecções do trato respiratório superior e diarreia aquosa aguda, mas MSF também oferece tratamento para doenças crônicas, saúde reprodutiva e saúde mental. Na primeira metade do ano, atividades relacionadas ao suprimento de água e saneamento e a distribuição de kits de limpeza foram realizadas.

Ajude o MSF a manter a ajuda a essa e outras missões humanitárias. www.msf.org.br

Deputado do Espirito Santo propõe cota para evangélicos em concursos

O deputado estadual capixaba Rogério Medina (PMDB) sugeriu a reserva de 10% das vagas em concursos públicos no Espírito Santo para evangélicos. A proposta foi feita na sessão solene em homenagem ao Dia do Evangélico, realizada na Assembleia Legislativa na última quarta-feira.

O autor do projeto alega que os evangélicos são vítimas de preconceito nos departamentos de recursos humanos das empresas privadas. Chegou a afirmar em discurso que “por sermos tementes a lei de Deus e não nos envolvermos em maracutaias os gestores sempre optam por católicos e até mesmo umbandistas na hora de contratar alguém”.

O projeto segue agora para a comissão de constituição e justiça e se for aprovado vai ser votado em novembro. Caso se torne lei os concurseiros deverão apresentar certidão de batismo e declaração assinada pelo pastor atestando a atuação religiosa do candidato. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil se manifestou dizendo que o projeto “é vergonhoso, preconceituoso e fruto do oportunismo barato de pastores neopentecostais”.

Por Notícias Brasil

Projeto social reúne católicos e evangélicos em um terreiro de Umbanda

Um grupo evangélico encontrou Jesus durante um trabalho de umbanda. Feito, inclusive, por eles com católicos e adeptos da religião espírita, com o intuito de interferir na vida de 130 famílias da Zona Oeste. Fiéis a um programa de estágio na Tenda Espírita Caboclo Flecheiro, em Santíssimo, os religiosos gospel contam que sentem a presença de Deus no projeto social.

– Enxergo Deus e Jesus dentro desse terreiro. Eu precisava de um estágio e, quando fui convidada a participar, corri no banheiro da faculdade (evangélica) e orei: Senhor, entrego em tuas mãos. Vim confiante. O objetivo aqui é só a ajuda ao próximo – elogia Rosemere Mathias, de 48 anos, convertida na igreja Assembléia de Deus Nova Filadélfia.

O encontro dos religiosos não tem qualquer vínculo litúrgico. Ao contrário, eles se reúnem apenas para celebrar o aprendizado do curso de Assistência Social, que já chegou ao seu 8 período em uma faculdade cristã.

– Antes, eu tinha uma ideia horrorosa dos terreiros. Quando era mais nova, achava que tudo era obra do capeta. É que, na concepção de alguns evangélicos, Deus só está na igreja deles. Era falta de conhecimento minha – destaca a estagiária Andreia de Oliveira, de 35 anos, que atualmente procura uma igreja.

A distribuição de frutas Foto: Rafael Moraes / Extra
A distribuição de frutas Foto: Rafael Moraes / Extra

Ação social

O grupo se reúne no terreiro, a cada 15 dias, para distribuir pepinos às famílias assistidas. E também abacaxis, abóboras e bananas, além de frutas em geral. E, em uma sala, apuram a necessidade de cada uma – 80% delas evangélicas -, orientando-as em casos jurídicos, de saúde e até na retirada de documentos. Fora as palestras educativas sobre câncer de mama, verminoses e o uso de preservativos. E tudo gratuito.

Uma alegria para a umbandista Meri Silva, de 45 anos, que convidou os amigos de turma para o estágio quando soube da necessidade de mão de obra social no terreiro.

– No grupo de estágio, temos até um pastor e duas pastoras. Vejo o verdadeiro amor de Cristo neles. Fui cristã dos 9 aos 22 anos. Mas tive decepções e entrei em depressão. Fui acolhida aqui com amor – conta Meri, ex-evangélica.

O dirigente do terreiro, Marco Xavier, também elogia o projeto “Fé com Atitude”, há um ano com os estagiários.

– São excelentes religiosos por quebrarem tabus em relação a Umbanda – afirma Marco Xavier.

A evangélica Carla Gomes com o pastor Enildo de Queiroz Foto: Rafael Moraes / Extra
A evangélica Carla Gomes com o pastor Enildo de Queiroz Foto: Rafael Moraes / Extra

Professora dá uma lição de tolerância

A professora de educação física Carla Gomes, de 32 anos, adora ir a cultos evangélicos a caráter. De saia comprida, mas com roda e muitas cores, ela senta na cadeira da Igreja Assembléia de Deus Ministério Vencedor, em Campo Grande, usando pulseiras, argolas, pano de cabeça e até rastafári e dreadlocks no cabelo. É como apresenta aos fiéis a sua cultura, a dos negros.

– Hoje, há uma cultura em demonizar a religião, as vestes, os costumes dos negros. Eu quis mudar isso. Nas escolas que dei aula, gostava quando as crianças entendiam que as coisas dos negros são legais, que elas (crianças) fazem parte disso. E são essa história. Essa é a minha missão – revela Carla, pós-graduada em História da África e professora de jongo, maracatu, coco, maculelê e samba de roda pela Cia. Banto, fundada por ela.

O pastor Enildo Carneiro, de 55 anos, abençoa:

– Ela pode vir assim à igreja. Alguém pode estar alinhado, de terno, e não ser do Senhor. Vestimentas não dizem nada. A espiritualidade, sim. É que muitos pastores pegam um pedacinho da palavra de Deus e fazem disso uma imposição.

‘Hoje penso: cada um com a sua religião’

Depoimento

Rosemere Mathias

48 anos, técnica de enfermagem e estudante

“Ainda tem muita gente sem visão (no mundo evangélico). Eu mesma não imaginava que estaria em um terreiro de Umbanda fazendo caridade. Acho que até eu era limitada. Mas o preconceito, lá fora, é muito grande. Hoje penso: cada um com a sua religião. E isso não se discute. Aqui no estágio, o Marcos (dirigente do terreiro) nunca tentou me converter à umbanda e nem falou sobre religião comigo. O nosso objetivo aqui (dos estagiários) é ajuda, trabalho. Na faculdade, antes de começar o estágio, ainda ouvi: olha, você está lá? O senhor não vai gostar.”

As roupas Foto: Rafael Moraes / Extra
As roupas Foto: Rafael Moraes / Extra

Fonte: Jornal EXTRA

Tia de menina apedrejada no Rio diz que agressores ‘acham que são Deus’

Iara Jandeiro é candomblecista. Ela é tia de uma menina de 11 anos e testemunha da agressão sofrida pela criança, atingida por uma pedrada no domingo (14), quando saía de um culto religioso. Os autores, segundo ela, seriam dois jovens que aparentam ter 20 anos. Apesar de adepta da religião afro-brasileira, Iara faz alusão a uma frase comum aos católicos para pregar a paz entre os crentes de várias matizes.

“‘Amai-vos uns aos outros, como vos amei’, está escrito na Bíblia. Eles (os agressores) acham que são Deus, que o Deus deles é melhor que o nosso. Cada um tem sua religião, independente de ser budista, cristão, católico, candomblecista, judeu. Cada um tem que respeitar a religião do próximo. Não somos deus para julgar”, diz a autônoma.

A família de Iara voltava para casa, quando passou a ser insultada. Uma pedra foi arremessada pelo grupo, bateu em um poste e atingiu a jovem. Após a agressão, no entanto, sua sobrinha já manifestou o medo de voltar a usar roupas daquela cor. “Não quer mais vestir roupa branca, ela está traumatizada. Vamos procurar apoio psicológico, ela tem só 11 anos”, revela. Na internet, eles fazem uma campanha intitulada “Eu visto branco. Branco da paz. Sou do candomblé. E você”.

O caso foi registrado como lesão corporal e no artigo 20, da Lei 7716 (praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional) na 38º DP (Irajá).

De acordo com a unidade policial, parentes prestaram depoimento. A menor de 11 anos foi ouvida e encaminhada a exame de corpo de delito. Os agentes realizam diligências para localizar imagens e testemunhas que possam auxiliar na identificação da autoria do crime.

Parentes de ialorixá morta dizem que ela teve infarto causado por perseguição religiosa

RIO – A morte de uma ialorixá nonagenária em Camaçari, município industrial localizado a 40 quilômetros de Salvador, é centro de comoção — e reação — que já une entidades voltadas para o combate à intolerância religiosa em diferentes regiões do país. Conhecida como Mãe Dede de Iansã, Mildreles Dias Ferreira faleceu na madrugada do dia 1º deste mês, após sofrer um infarto fulminante que teria como principal causa a perseguição sofrida ao longo de um ano, desde que uma igreja evangélica se instalou em frente ao terreiro Oyá Denã. Familiares relatam que o mal-estar foi resultado de ação de seguidores da Casa de Oração Ministério de Cristo, que, na véspera, teriam passado uma madrugada inteira em vigília proferindo ofensas em direção à casa de santo.

Na Bahia, a 8ª Promotoria de Justiça recebe hoje representantes do Coletivo de Entidades Negras (CEN), da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial de Camaçari e do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, além de parentes da mãe de santo, uma referência no município. A Comissão de Combate à Intolerância do Rio (CCIR) planeja um ato ecumênico em homenagem à ialorixá na Universidade do Estado do Rio, na próxima segunda. A morte foi lamentada também pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência da República. Embora representantes da Casa de Oração Ministério de Cristo não tenham sido encontrados para dar sua versão sobre o caso, associação ligada a igrejas evangélicas nega que exista uma perseguição organizada contra as religiões de matriz africana.

Poucas horas depois do falecimento de Mãe Dede, parentes procuraram a 18ª Delegacia Territorial de Camaçari para registrar o episódio. A polícia já havia sido procurada em ocasiões anteriores, conta Mary Antonia Monteiro, filha de criação da religiosa.

— O terreiro da minha mãe existe há 45 anos. No ano passado, essa igreja se instalou ali, e as ofensas começaram. Quando alguém estava entrando na nossa roça, eles chamavam. Às vezes cantavam músicas com ofensas na nossa porta. Na noite anterior à morte dela, fizeram vigília de 23h às 5h. Passaram esse tempo gritando coisas como “Se retira, Satanás” e “Tá amarrado”. Minha mãe ficou muito agitada, chorou e depois passou mal. — conta Mary, lembrando que, duas semanas antes, policiais chegaram a ir ao local após denúncias. — Embora ela tivesse 90 anos, ainda estava lúcida e se queixava de que nunca tinha imaginado que sofreria perseguição àquela altura da vida.

BAHIA: 38 REGISTROS DESDE 2013

Desde a criação do do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, no fim de 2013, foram registrados 38 casos de intolerância religiosa, 11 deles apenas este ano.

— Com esses casos lamentáveis, pretendemos inaugurar um pacto de diálogo entre diferentes segmentos religiosos e encontrar um caminho. Temos de tomar os cuidados necessários para que, no futuro, o Brasil não tenha uma guerra santa. Não podemos perder a noção de nação com diferenças de cores e de credos — alerta o coordenador do Centro Nelson Mandela, Walmir França, acrescentando que o órgão fará acompanhamento psicológico e social da família de Mãe Dede.

Ainda em vida, a ialorixá e familiares procuraram organizações em defesa das religiões de matriz africana para denunciar os ataques. Uma delas foi o CEN, entidade nacional com atuação em Camaçari. O coordenador municipal do coletivo, Tata Ricardo Tavares, reforça os relatos dos parentes ao associar a morte com as denúncias de perseguição religiosa:

— Está muito claro que a intolerância culminou no seu falecimento. Essa senhora já tinha alguns prob lemas de saúde por ser idosa, mas adoeceu depois de sofrer esse assédio — diz.

Tavares antecipa que, além de tratar do caso do terreiro Oyá Denã, o CEN pretende abordar, na reunião de hoje, outros registros de intolerância ocorridos nos últimos dois anos. Para ele, a expansão de igrejas evangélicas está por trás do fortalecimento das práticas de intolerância.

EVANGÉLICOS REBATEM

A percepção é negada com veemência pela Associação dos Pastores e Ministros Evangélicos do Brasil. Para Carlos de Oliveira, diretor da entidade e pastor da Assembleia de Deus, esse tipo de ação tem como responsáveis grupos isolados entre centenas de igrejas evangélicas brasileiras.

— A mídia fala em intolerância, mas, na realidade, não existe muito isso. Há um número insignificante, quase nulo, de pessoas praticando esses atos — opina. — A associação condena a prática de intolerância. No entanto, até dentro da igreja evangélica há conflitos, e divergências com outros cultos vão sempre existir. As religiões de matriz africana e a evangélica não comungam das mesmas experiências, mas isso não significa que vamos proibir a existência delas.

Interlocutor da CCIR, o babalaô Ivanir dos Santos, discorda sobre a escala dos casos de intolerância. Ele diz que a mobilização em torno do caso de Mãe Dede é uma tentativa de resposta ao crescimento de ataques ao candomblé e à umbanda.

— Da mesma forma que lá fizeram cerimônias em frente à casa de forma acintosa, há quem macule terreiros, além de outras práticas sistemáticas. Mas a nossa reação também está crescendo. Chama atenção, nesses casos, a omissão de lideranças evangélicas. O que leva essas pessoas a pensarem que ficarão impunes? — questiona Santos.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/religiao/parentes-de-ialorixa-morta-dizem-que-ela-teve-infarto-causado-por-perseguicao-religiosa-16396381

Terreiros de Umbanda passam a ter mesmo direitos de igrejas na Bahia

O prefeito de Salvador (BA), ACM Neto, assinou um decreto que garante aos terreiros de Candomblé os mesmos direitos jurídicos e administrativos que igrejas e templos de outras religiões já possuem.

O decreto foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) na última quinta-feira (20) e assinado durante a inauguração do Observatório Permanente da Discriminação Racial e Violência contra LGBT.

Com esse decreto os templos de religiões como Candomblé, Unzon, Mansu, Centros de Caboclo, Centros de Umbanda, Kimbanda, Ilê, Ilê Axé, Kwé e Humpame passam a ter direitos como a imunidade tributária e facilidade para se organizarem juridicamente como instituições e ainda fazer a regularização fundiária.

De acordo com a prefeitura de Salvador, a capital baiana tem mais de 1,2 mil terreiros dessas religiões e comunidades e o poder público tem o dever de proteger o patrimônio religioso deles.

“Essas entidades possuem formas próprias de organização e são de extrema importância cultural, social e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas geradoras e transmitidos pela tradição”, disse Ivete Sacramento, secretária municipal de Reparação.

O prefeito ACM Neto também comentou sobre o decreto dizendo que a partir dele “as instituições enquadradas nessas características passam a gozar de todas as prerrogativas dos templos de outras religiões, inclusive do ponto de vista tributário”. Com informações Tribuna da Bahia

Endereços e Serviços Úteis para os Umbandistas

Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Rua Sampaio Ferraz, 29 – Estácio
Rio de Janeiro – RJ
E-mail: imprensa.comcinter@gmail.com
Reuniões: todas as quartas-feiras, ás 16h
POLÍCIA CIVIL – NÚCLEO DE COMBATE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
Rua Silvino Montenegro, 1 – 4º andar, Gamboa, Zona Portuária do Rio.
Observação:
Não é delegacia pra registro de ocorrência
Somente para orientação de com agir.
Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião da
Assembléia Legislativa RJ
Palácio Tiradentes – Rua: Primeiro de março s/nº, Praça  XV
Cep. 20010090
Tel: (21) 2588 1000 – Fax: (21) 2588 1516
Disque Preconceito – 0800 282 0802
Câmara Municipal do Rio de Janeiro
Praça Floriano, s/nº
Tel.: (21)3814-2121
Email: ascom@camara.rj.gov.br