O dia das Mães na Umbanda

O Dia das Mães para nos Umbandistas, e como é impossível deixar passar essa data em branco quero expor alguns pontos para que possamos vivenciar esse dia de forma diferente e especial.Saibam que a comemoração dos dias das mães é mitológica. Na Grécia antiga a entrada da primavera era celebrada em honra de Rhea, a Mãe dos Deuses. Na África Yemanjá é a Orixá Mãe, orixá que gerou todos e todas, é a Mãe cujos filhos são peixes, portanto, para os cultos de nação e para as religiões de origem africana, Yemanjá é o orixá feminino de maior representação e de maior força. Já Maria, a Mãe de Deus, é o maior fenômeno religioso que ultrapassa as barreiras de qualquer religião e transcende no íntimo de cada ser humano pelo seu amor incondicional e exemplo real de uma mulher realizadora, forte e fiel à sua crença.

Assim como Yemanjá, Eva, Rhea, Maria e Marias, Aparecidas, Joanas, Silvanas, Anas… Mães que como tantas outras geram, propiciam, lutam, choram, realizam e amam, amam e amam. Um amor tão pleno que é capaz de mudar o homem e gerar a Paz.

Mães que criam futuros e que, portanto, são responsáveis pelo hoje e pelo amanhã. Mães que sofrem e que creem. Mães que fazem, vivem e que muitas vezes esquecem o que são e do que são capazes.

E envolvidas por esse ‘esquecer’, se esquecem de sonhar e de criar um futuro. Esquecem de suas responsabilidades e de quanto amor existe dentro delas. Esquecem de olhar a vida de forma diferente, esquecem de ver as flores, borboletas, estrelas, nuvens, pássaros….

Esquecem, enfim, que seu olhar de adulta já foi um olhar de criança. E pensando nisso, reproduzo um trecho do livro “A Festa de Maria”, de Rubem Alves, que ajudará de forma muito peculiar em nossas reflexões.

O Olhar Adulto

“Lá vão pelo caminho a mãe e a criança, que vai sendo arrastada pelo braço – segurar pelo braço é mais eficiente que segurar pela mão. Vão os dois pelo mesmo caminho, mas não vão pelo mesmo caminho. Bleke dizia que a árvore que o tolo vê não é a mesma árvore que o sábio vê. Pois eu digo que o caminho porque anda a mãe não é o mesmo caminho porque anda a criança.

Os olhos da criança vão como borboletas, pulando de coisa em coisa, para cima, para baixo, para os lados, é uma casca de cigarra num tronco de árvore, quer parar para pegar, a mãe lhe dá um puxão, a criança continua, logo adiante vê o curiosíssimo espetáculo de dois cachorros num estranho brinquedo, um cavalgando o outro, quer que a mãe também veja, com certeza ela vai achar divertido, mas ela, ao invés de rir, fica brava e dá um puxão mais forte, aí a criança vê uma mosca azul flutuando inexplicavelmente pelo ar, que coisa mais estranha, que cor mais bonita, tenta pegar a mosca, mas ela foge, seu olhos batem então numa amêndoa no chão e a criança vira jogador de futebol, vai chutando a amêndoa, depois é uma vagem seca de flamboyant pedindo para ser chacoalhada, assim vai a criança, à procura dos que moram em todos os caminhos, que divertido é andar, pena que a mãe não saiba andar por não ter os olhos que saibam brincar, ela tem muita pressa, é preciso chegar, há coisas urgentes a fazer, seu pensamento está nas obrigações de dona de casa, por isso vai dando safanões nervosos na criança, se ele conseguisse ver e brincar com os brinquedos que moram no caminho, ela não precisaria fazer análise …

A mãe caminha com passos resolutos, adultos, de quem sabe o que quer, olhando para a frente e para o chão. Olhando para o chão ela procura as pedras no meio do caminho, não por amor ao Drummond, mas para não dar topadas, e procura também as poças d’agua, não porque tenha se comovido com o lindo desenho do Escher de nome Poça d´água, uma poça de água suja na qual se refletem o céu azul e os ramos verdes dos pinheiros, ela procura as poças para não sujar o sapato. A pedra do Drummond e a poça de água suja do Escher os adultos não vêem, só as crianças e os artistas …

A mãe não nasceu assim. Pequenina, seus olhos eram iguais aos do filho que ela arrasta agora. Eram olhos vagabundos, brincalhões, que olhavam as coisas para brincar com elas. As coisas vistas são gostosas, para ser brincadas. E é por isso que os nenezinhos têm esse estranho costume de botar na boca tudo o que vêem, dizendo que tudo é gostoso, tudo é para ser comido, tudo é para ser colocado dentro do corpo. O que os olhos desejam, realmente, é comer o que vêem. Assim dizia Neruda, que confessava ser capaz de comer as montanhas e beber os mares. Os olhos nascem brincalhões e vagabundos – vêem pelo puro prazer de ver, coisas que, vez por outra, aparece ainda nos adultos no prazer de ver figuras. Mas aí a mãe foi sendo educada, numa caminhada igual a essa, sua mãe também a arrastava pelo braço, e quando ela tropeçava numa pedra ou pisava numa poça de água, porque seus olhos estavam vagabundeando por moscas azuis e cachorros sem-vergonha, sua mãe lhe dava um safanão e dizia: “Olha pra frente menina!”.

“Olha pra frente!” Assim são os olhos adultos.

Coitados dos adultos! Arrancaram os olhos vagabundos e brincalhões de crianças e os substituíram por olhos ferramentas de trabalho. Os olhos tornam-se escravos do dever. Os olhos solicitam: “ Brinquem comigo! É tão divertido! Se vocês brincarem comigo, eu ficarei feliz, e vocês ficarão felizes …”.

Rubem Alves

É, não dá para reclamar de violência se propiciamos violência, e olha que ela nem precisa ser física, assim como não dá para esquecer nossa responsabilidade com o futuro e com a Paz.

Mães, incorporem o sentido da Mãe, vivam como Mãe, amem, lutem, deem, ensinem a beleza da vida, a plenitude da fé e exemplifiquem o sentido real da crença. Assim, quem sabe, nosso filhos, netos e toda a humanidade saberá o que é o AMOR.

Para todas as mães, um excelente Dia das Mães! A todos, um grande e forte Axé!

Obrigado pelo texto Mãe Mônica

Orientações aos fiéis e verdadeiros Umbandistas

A religião solicita aos seus fiéis grandes responsabilidades, que devem ser seguidas não como obrigações, mas antes de tudo com amor e respeito. Jesus, na sua doçura e simplicidade, convidou homens ignorantes a sua companhia, pobres, ricos, velhos e novos, não pelo que fazia, mas pelo que era, uma figura exemplar de ser humano que diante de todas as dores do mundo não deixou de perdoar os seus inimigos. Seus milagres emocionavam os mais próximos e os que desejavam se aproximar, pois ali era externado sua grandiosidade espiritual conseguida perante muitas dores e penas, expiações e missões, porém e, acima de tudo, com fé e amor a Deus. Se o filho de Umbanda ainda procura modelo a seguir, lembremos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas, fundador da abnegada Religião, nos disse que esta Umbanda teria como base o Evangelho de Cristo e recordando a pergunta 625 do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, sobre o maior modelo que Deus ofereceu ao homem para servi-lhe de guia, os espíritos respondem Jesus, portanto Cristo deve ser modelo e guia para todo filho de Umbanda, sincero e fiel a Doutrina trazida pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Conta-nos Leal de Souza, em sua recomendada obra O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, editora Conhecimento, 2º edição, 2008, que estava o Caboclo das Sete Encruzilhadas no ponto de interseção de sete caminhos, triste e choroso sem saber os rumos que tomaria seu destino quando apareceu-lhe Jesus, em sua doçura inefável mostrando-o numa das regiões da Terra, as tragédias e dores vivenciadas pelas paixões humanas. Por isso, indicou-lhe o caminho a seguir, como verdadeiro missionário do consolo e da redenção. E, de maneira que pudesse jamais esquecer este momento sublime da sua eternidade, rebaixando-se aos humildes trabalhadores, este pequenino mensageiro do Cristo tirou seu nome do número dos caminhos que o desorientava, ficando, como hoje nós conhecemos, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, carinhosamente chamado, daqui em diante, como Chefe.
Jesus, em toda sua Sabedoria e Amor, jamais se equivocaria em designar tal missão a qualquer um dos Seus Anjos, escolhendo para isso um espírito humilde e que se fez pequenino para assim amar, tal como Deus nos ama, todos os encarnados que se aproximassem dele, quer direta ou indiretamente. Afim de que toda a sua missão fosse materializada na Terra, foi escolhido para o trabalho um jovem rapaz chamado Zélio Fernandino de Moraes, com 17 anos na época. A história todos nós já conhecemos, entretanto, o que pretendemos neste momento é clarificar a importância deste momento religioso e a autoridade sobre todo o espiritismo de Umbanda que cabe ao humilde Chefe. Portanto, todo filho de Umbanda, verdadeiro Templário da Ordem Branca, reconhece o Caboclo das Sete Encruzilhadas como criador, fundador e instituidor da Religião de Umbanda, em todo o mundo. Se ainda procuramos saber e fazer Umbanda jamais vos esqueça de que modelo maior que Jesus não há e que a Doutrina do Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas é farol que nos guiará aos rumos certos diante de toda a escuridão que ainda insiste em nos atrapalhar a caminhada rumo a Deus.
Uma Doutrina é firmada no mundo sob as ordens de Jesus, e como ordem podemos entender que fora sob suas palavras erigidas e O mesmo já nos aliviava: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.” A Umbanda instituída pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas veio para ficar, como rocha firme e intacta, como é a palavra do Nosso Guia Maior, o Cristo.

A história da umbanda

Outorga para abertura de um Terreiro

O artigo transcrito, autoria de Pai Mozart de Iemanjá, serve perfeitamente para a nossa reflexão e aprendizado, diante a realidade atual da Umbanda.Norberto Peixoto. 

… 

Se percebe na atualidade uma grande quantidade de iniciados no Batuque RS sedentos pelo desejo de terem suas casas de religião. Na maioria dos objetivos, a razão é para fazer o que discorda, ou o que não é permitido pela sabedoria de seu sacerdote, da atual casa, ou para ditar as suas próprias regras. No entanto uma casa de Orixá nasce de razões profundas, alicerçadas no compromisso moral, ético e espiritual. 

Não se trata de um local para atender as vontades das pessoas e nem tão pouco um palco de atrações para o personalismo e a vaidade humana, exige comprometimento com a causa teológica de religião afro gaúcha. Uma casa de santo é um lugar sagrado onde se encontra apoio e acolhida às pessoas necessitadas nos mais variados aspectos da vida de relação. Um lar para quem quer ficar, uma escola para quem quer aprender. Ela nasce em coração simples e sincero, com disposição e capacidade de agregar, somar e de partilhar. 

São esses os dons que outorgam o nascimento de uma casa de Batuque RS. São valores que não se aprendem em cursos, que não são comprados ou adquiridos por graus parentescos e “ritos mágicos”. São valores forjados pela dedicação, pelo discernimento e disciplina que no decorrer no tempo são adquiridos. A hierarquia e a ética moral do Pai ou Mãe de santo, que desenvolve e educa o filho de fé, saberão indicar o momento de construir uma casa, quando a formação se completa. 

A autorização parte dos Orixás primeiramente e não das pessoas. Quando a concepção é sagrada entre a espiritualidade e um coração humilde, vibra no “ori” do iniciado que a partir de então não teme dificuldades, pelas próprias limitações ou ingratidões. Há objetivo, determinação e realização. O resultado se apura no decorrer dos anos. Os trabalhos crescem, se desenvolvem e se multiplicam. O axé se consolida e a identidade da casa se constrói junto com sua história. É como uma semente que possui o dom dos frutos, mas terá que trabalhar em sua formação até se transformar em uma árvore…asé.
Artigo de Pai Mozart de Iemanjá

https://www.facebook.com/paimozart.deiemanja

OPINIÃO DE NORBERTO PEIXOTO.

Este artigo serve perfeitamente para a realidade atual da Umbanda. Não conheço pessoalmente o Pai Mozart de Iemanjá, mas admiro-o com respeito. É um sacerdote sério, maduro e de profunda ética com o Sagrado.

À liberdade em essência

Foi ao relento, a solta pelo tempo ecoa e vai a solta e liberto, ressoar ao ar livre, límpido e cristalino, em tons diamantino borda a noite estrelada.

Em labirinto entrecruzado perante o tempo que esvai do dia as claras e nas noites luminosas que ecoa e escoa em soar que expande logo a frente rente a vitória regia em alvorecer verdejante.

Campo florido coberto por lençol vitalício do florescer das rosas e florezinhas miúdas, unidas em lagrimas apaixonadas da mais pura alegria perante o sorrir da margarida encantada e queria.

Assovio liberto dos sabiás e da passarada que em passarela azul celestino em céu aberto. E eles passam, apenas passam voando em encontro do vendo suave.

Rir , sorria e chore se quiser, vá ao encontro dos sonhos abstratos, porém, materialize o abstrato que sonha em sua vida e viva e sejas alegre por si mesmo.

Isso crie, cocrie e reanime a tua vida de alegria sinceramente tua só tua.

Foi ao relendo que liberto do tempo, o momento transpassa e você nem sente mas vê que foi.

Deixe-o ir, se libera do compromisso e receba a divindade do amar de verdade na essência tua desnuda do que será ou do que pode estar.

Já é apenas Deus em ti!

Solto no eterno relento, pelo tempo que passa em momentos contínuos de liberdade.

Edson Rosa Rosa

Por que sou Umbandista?

Por que

Porque Exu me ensinou que se eu desejo algo, eu tenho que conquistar!Porque a Pombagira me ensinou que o melhor amor nao é amarrado!

Porque os Baianos me ensinaram que a felicidade é uma permissão que temos que nos dar!

Porque os Marinheiros me ensinaram que mesmo que a vida balance, o naufrágio só acontece se eu nao me manter firme!

Porque os Boiadeiros me ensinaram que só os verdadeiros amigos permanecem ao meu lado!

Porque as Pretas e Pretos Velhos me ensinaram que arrogância não nos leva a caminho nenhum que seja bom!

Porque os Ibejis me ensinaram que a fé é o único sentimento puro que existe!

Porque Pai Omulu me ensinou que não existe sofrimento em recomeçar tudo outra vez!

Porque Ogum me ensinou que não se vence batalhas com a guerra!

Porque Iansã me ensinou que se vence as tempestades da vida com a cabeça erguida!

Porque Oxum me ensinou que o amor vale mais que o ouro!

Porque Xangô me ensinou a confiar na justiça divina e não na minha errante!

Porque Iemanjá me ensinou a acolher as pessoas, e nao a fugir delas!

Porque Oxossi me ensinou que a minha coragem é o suficiente para realizar meus sonhos!

Porque Nanã me ensinou que a paciência nos faz chegar mais rápido e com mais certeza em nossos objetivos!

Porque Oxalá me ensinou que pra ser bom eu nao preciso ser santo, mas que eu não faça nada que vá contra uma outra pessoa!

Porque Deus me ensinou que ele não tira nada de mim, nem mesmo se for pra me dar algo melhor! Olorum me ensinou que o que eu conquisto é mérito meu, fazer permanecer comigo é outro mérito! E que se for por meu merecimento Ele me dará muitas coisas sem tirar nada do que já possuo!

Por que sou Umbandista?

Porque minha religião não faz discriminação, ela não mede minha fé pela quantia de bens que eu tenho Porque ela não faz comparação entre os membros participantes, porque dentro do terreiro somos uma família unida na fé!

Por isso sou Umbandista!

Erê Pedrinho da Cachoeira

Sua história é muito bonita, morava em uma cabana no interior, viveu sempre uma vida humilde, com seus irmãos, não tinha brinquedos como os meninos da cidade, e fazia os seus com madeira e tudo que achava no caminho, gostava de nadar, por isso vivia sempre no rio, próximo a cachoeira, seus dias eram de brincar e cuidar da sua irmã mais nova, pois todos seus familiares trabalhavam na lavoura para produzirem seus sustento, sempre foi uma criança feliz, e cuidava da natureza, não maltratava os animais e gostava de brincar nas matas, aprendeu cedo a cuidar dos animais machucados, usava as raízes e plantas que sua mãe ensinou para trata-los, sua infância terminou aos 12 anos, quando certo dia, adoeceu, por mais que as rezadoras da região tentaram cura-lo nada sutil efeito, era dia de chuva intensa quando deitado ainda na cama doente seu cão lambeu-lhe o rosto, a partir deste momento desencarnou e o tempo começou a melhorar, na pequena janela do quarto onde jazia muitos pássaros se amontoavam e em silencio espiavam seu pequeno médico ir-se embora, sua irmã, chorou e saiu sentando-se a beira do rio, de repente flores apareciam na correnteza branda, ela começou a segui-las, indo de encontro a cachoeira, ali espantou-se quando notará que as flores caiam em forma suave uma a uma escorregando entre as gotas de água, algumas muito leves quase pairavam no ar, até que uma veio em sua direção, pousando lentamente em sua mão, sua irmão morreu muito velhinha e esta história contava a todos seus filhos em seu terreiro espírita.

As palavras de uma criança que um dia viveu aqui entre nós:

Queridos tios, a vida de vocês é como se buscassem sempre algo para completar a felicidade, mas esquecem de que para ser feliz não precisa buscar em algo material, e sim buscar a felicidade dentro de nosso coração, voltar as vezes a ser criança, lembrá?
Naquele tempo você era feliz com coisas tão simples, procurava sempre estar entre seus amigos, agorá porque procura ficar sozinho?
Felicidade é amar as pessoas como se fosse eterno aquele momento, quando um dia você estiver triste somente um grande amigo poderá trazer seu sorriso de volta, ser criança sempre é ser feliz, sorrir junto com um amigo é sorrir em dobro.

A doçura e o amor sempre complementaram minha vida então adora pirulito de coração.

Esta história foi psicografada pelo próprio Pedrinho da Cachoeira, meu querido Erê.

Que a Divina Luz esteja entre nós
Emidio de Ogum

Sem Exú, nenhuma comunicação com o mundo espiritual é possível e não há proteção para o terreiro e nem para seus filhos

Exú é um orixá do panteão africano, também chamado de : Esu, Eshu, Bará, Ibarabo, Legbá, Elegbara, Eleggua, Akésan, Igèlù, Yangí, Ònan, Lállú, Tiriri, Ijèlú. Orixá que liga os humanos ao mundo dos orixás. Sem Exú nenhuma comunicação com o mundo espiritual é possível, não há proteção para o terreiro, nem para seus filhos.
Exú faz a guarda e distribui bênçãos de fertilidade, fartura, proteção astral, prosperidade e boa sorte nos negócios. Se bem tratado e agradado como se deve sabe retribuir as oferendas em dobro, mas, quando Exú é esquecido, torna-se o pior dos inimigos, fechando os caminhos e trazendo má sorte a quem se esquece dele.

Qualquer cerimônia deve ser aberta com o Padê de Exú na qual se oferecem a Exú alimentos e bebidas votivas, etc., na intenção de que não perturbe os trabalhos com seu lado brincalhão e que agencie a boa vontade dos orixás que serão invocados no culto. Também conhecido como despacho de Exú.

Confundido com o diabo pelo exotismo de seu culto em alguns terreiros, que chega a parecer um verdadeiro espetáculo para impressionar a assistência.
Exu é o orixá da comunicação, da paciência, da ordem e da disciplina. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do axé, das coisas que são feitas e do comportamento humano. A palavra Èșù, em iorubá, significa ‘esfera’, e, na verdade, Exu é o orixá do movimento. Ele é quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir que sua função de mensageiro entre o Orun (o mundo espiritual) e o Aiye (o mundo material) seja plenamente realizada, já que ele é o mensageiro dos orixás!!!

Exú

Exu é considerado o mais humano dos orixás, pois o seu caráter lembra o do ser humano… Exu no Candomblé é como os demais Orixás, uma personalização de fenômenos e energias naturais…
Assim como todos os outros orixás, Exú também tem seus pontos de atuação, que são as encruzilhadas e as estradas, mas no modo geral de se ver, Exú está e atua em qualquer tempo e lugar. O objeto que representa a força de Exú é o falo, madeira em formato de pênis ereto, além de todos os metais, onde geralmente são confeccionados os tridentes que representam a ligação de Exú com o céu e a terra… Muitos instrumentos de defesa (Pontiagudos e cortantes), representam a força deste orixá.
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Exú tem seu assentamento e representações esculpidos no ferro e no barro, suas cores são sempre o vermelho e preto e o dia da semana de maior força é a segunda feira… Apreciador de muita pimenta e dendê, seus pratos são sempre “quentes” e na maioria das vezes acompanha carne ou sangue animal… Mas lembrando que come de tudo um pouco, tudo o que a boca come, sendo assim considerado a BOCA DO MUNDO .

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Nação Angola

A “nação” Angola, de origem Banto, adotou o panteão dos orixás iorubás (embora os chame pelos nomes de seus esquecidos inkisis, divindades bantos, assim como incorporou muitas das práticas iniciáticas da nação queto. Sua linguagem ritual, também intraduzível, originou-se predominantemente das línguas quimbundo e quicongo. Nesta “nação”, tem fundamental importância o culto dos caboclos, que são espíritos de índios, considerados pelos antigos africanos como sendo os verdadeiros ancestrais brasileiros, portanto os que são dignos de culto no novo território a que foram confinados pela escravidão. O candomblé de caboclo é uma modalidade da nação angola, centrado no culto exclusivo dos antepassados indígenas. Foram provavelmente o candomblé angola e o de caboclo que deram origem à umbanda. Há outras nações menores de origem banto, como a congo e a cambinda, hoje quase inteiramente absorvidas pela nação angola.

O Deus supremo e Criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele estão os Jinkisi/Minkisi, divindades do Panteão Bantu. Essas divindades se assemelham a Olorun e Orishas da Mitologia Yoruba, e Olorum e Orixá do Candomblé Ketu.

Os principais Minkisi são:

Aluvaiá, Bombo Njila, Pambu Njila: intermediário entre os seres humanos e o outros Jinkice (cf. Exú (orixá)).
Nkosi: Senhor dos Caminhos, das estradas de terra
Mukumbe, Biolê, Buré: qualidades ou caminhos desse nkise
Ngunzu: engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra.
Kabila: o caçador pastor. O que cuida dos rebanhos da floresta.
Mutalambô, Lembaranguange: caçador, vive em florestas e montanhas; deus de comida abundante.
Gongobira: caçador jovem e pescador.
Mutakalambô: tem o domínio das partes mais profundas e densas das florestas, onde o Sol não alcança o solo por não penetrar pela copa das árvores.
Katende: Senhor das Jinsaba (folhas). Conhece os segredos das ervas medicinais.
Nzazi, Loango: São o próprio raio.
Kavungo, Kafungê, Kingongo: deus de saúde e morte.
Nsumbu – Senhor da terra, também chamado de Ntoto pelo povo de Kongo.
Hongolo ou Angorô: auxilia a comunicação entre os seres humanos e as divindades.
Kitembo: Rei de Angola. Senhor do tempo e estações.
Kaiangu: têm o domínio sobre o fogo.
Matamba, Bamburussenda, Nunvurucemavula: qualidades ou caminhos de Kaiangu
Kisimbi, Samba_Nkice: a grande mãe; deusa de lagos e rios.
Ndanda Lunda: Senhora da fertilidade, e da Lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi.
Kaitumbá, Mikaiá, Kokueto: deusa do oceano.
Nzumbarandá: a mais velha das Nkisi
Nwunji: Senhora da justiça. Representa a felicidade de juventude e toma conta dos filhos recolhidos.
Lembá Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Kassuté Lembá, Gangaiobanda: conectado à criação do mundo.
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Ritual

Na Angola, os sacramentos são:

1 – Massangá: Ritual de batismo de água doce (menha), na cabeça (mutue), do iniciado (ndumbi), usando-se ainda o kezu (Obi).
2 – Nkudiá Mutuè: (Bori)- ritual de colocação de forças (Kalla ou Ngunzu(Angola)= Asé(Axé) = Muki(Congo)), através do sangue (menga) de pequenos animais.
3 – Nguecè Benguè Kamutué: ritual de raspagem, vulgarmente chamado de feitura de santo.
4 – Nguecè Kamuxi Muvu: Ritual de obrigação de 1 ano.
5 – Nguecè Katàtu Muvu: Ritual de obrigação de 3 anos (Nguece = obrigação), nessa obrigação, faz-se o ritual de mudança de grau de santo.
6 – Nguecè Katuno Muvu: Ritual de obrigação de 5 anos, preparação quase que identica a de um ano, só que acompanhada de muitas frutas.
7 – Nguecè Kassambá Muvu:ritual de obrigação de 7 anos, quando o iniciado receberá seu cargo, passado na vista do público, sendo elevado ao grau de Tata Nkisi (Zelador) ou Mametu Nkisi (Zeladora).
As obrigações, são de praxe para os rodantes, porque Kota (ekedi) e Kambondo (ogã), ja recebem seus cargos na feitura, portanto já nascem com suas ferramentas de trabalho, dão suas obrigações para aprimorar seus conhecimentos.
Em Angola, quem passa cargo são os enredos de Dandalunda. Isto é, não é preciso ser filho de Dandalunda, mas é ela quem autoriza aquela pessoa a receber o cargo.
Após 7 anos de obrigações, se renovarão a cada ano com rito de obi ou borí, conforme o caso, repetindo-se as obrigações maiores de 7 em 7 anos para renovar e conservar o indivíduo fortte, transformando-o em Kukala Ni Nguzu- Um ser fotte.
Kunha Kele: Sacramento realizado 3 meses e 21 dias após a feitura ( tirada de kele), quando o santo soltará a Kuzuela = Ilá.
Ordem de barco (sequência das pessoas recolhidas juntas para iniciação) na Angola

1º – Kamoxi, 2º – kaiari, 3º – katatu, 4º – Kakuanam, 5º – kakatuno, 6º – Kassagulu, 7º – Kassambà.

Na hierarquia de Angola o cargo de maior importância e responsábilidade são: é mais frequente se dizer Tata Nkisi (homem) ou Mametu Nkisi (mulher)

Exú é o equilibrio de tudo

Abaixo transcrevo uma lenda que encontrei num livro de Pierre Vergé. Mesmo advinda de uma visão mítica, própria do Candomblé, a estória me parece bastante auxiliar para a compreensão de Exú também como arcano da Umbanda:

Havia uma estrada que dividia quatro fazendas, cujos fazendeiros eram amigos. Certa vez passou um homem por essa estrada, que sobre a cabeça usava um vistoso chapéu. Ao final do dia, os fazendeiros comentaram o fato. Um deles disse: “Viram o homem de chapéu preto?” E o outro: “Preto? O chapéu era azul!”. E o terceiro: “São cegos? O chapéu era verde!”. E o último: “Vocês estão loucos, eu vi bem e o chapéu era vermelho como sangue!”. E passaram a discutir. Sem que um conseguisse convencer o outro, acusaram-se mutuamente de mentirosos. Juntou gente para ver o tumúlto. Já estavam nas vias de fato quando lá de trás grita o tal homem: “Parem de brigar, estúpidos! Era eu quem usava o chapéu. Eu sou Exú, e gosto de causar confusão!” Parece boba, mas a lenda é instrutiva. Exú nada mais fez do que passar pela estrada com seu chapéu de quatro cores (a simbolizar os quatro elementos, os pontos cardeais, as quatro fases do processo alquímico…), indicando que domina as forças da natureza e situa-se no centro desse poder. Esse também é, em outras palavras, o significado da encruzilhada. Também confirmamos aqui que Exú, em sua completude, será sempre mistério, sobre-humano, para nós. Podemos mirá-lo em um de seus aspectos, ou em outro, mas seu todo permanecerá oculto.

Não foi Exú quem causou a confusão, os homens brigaram por si mesmos. Ele somente provou aos fazendeiros que se tivessem confiado um na palavra do outro teriam decifrado a verdade. Numa saudável lição de humildade, Exú devolveu aos homens sua própria torpeza. Eis um de seus muitos atributos. Por isso se afirma que ele é neutro e habita o ponto de equilíbrio entre o Céu e a Terra.

Exú é o equilíbrio de tudo.

Laroyê Exú

Mensagem de Preto Velho Pai Jerônimo

“Um certo dia, ele atendeu de uma senhora que lhe veio consultar sobre um tumor nos seios, diagnosticado por uma mamografia.

Passes daqui, trabalhos dali, enfim, uma consulta normal…vela, erva, água…

Disse o preto:

– É mizim fia… Tá feito…mas num deixa de procurá o Homi de branco, dispois vem contá pro nego…nego vai ficá no toco esperando zunce vortá…

E saiu a consulente.

Numa próxima gira, estava lá o preto no toco e chegou a sua consulente, já na segunda parte do trabalho.

– Podi entrá mi zim fia, tava le esperano….

– É meu Velho, fui no médico sim… ele disse que o tumor sumiu, vai ver foi engano, o que a mamografia mostrou foi uma sombra de um queloide, que eu já tinha de cirurgia anterior. mas vim lhe agradecer, pois sei que o Senhor me curou..

Diga, meu Pai, o que o Senhor quer de presente, quero lhe agradecer…

Em nossa casa, as entidades as vezes ganham presentes, charutos, bebidas, mas não que peçam, porque as pessoas trazem em agradecimento mesmo, como deve ser em todo lugar.

Mas naquele dia o preto pediu…

– Me traga um bolo de chocolate, mi zi fia, suncê pode faze isso…?? Mais tem qui ser na próxima gira… eu num vô tá aqui, mas fala com o caboclo chefe que ele manda mi chamá….

Todos estranharam, e eu mais ainda, passei a semana pensando naquele pedido, eu que amo bolo de chocolate, pensava comigo, Meu Velho… porque um bolo, Meu Pai… Até os filhos da casa acharam estranho e houve uma brincadeira ou outra… do tipo achando que iam comer o bolo….Alguém arriscou dizer que era a comemoração pela cura da mulher… Enfim… esperei ansiosa… Afinal… confio neles.

Em verdade torci para a mulher nem aparecer com aquele bolo…

Mas ela apareceu, e sentou na primeira fila, como tal bolo, todo confeitado de confetes coloridos.

Chegou o preto, com autorização do chefe do terreiro, que é Seu Serra Negra….

– Trouxe meu bolo, mi zim fia…

– Trouxe meu velho…

Então o preto levantou e disse que na assistência tinha uma menina, de cor morena, que estava fazendo aniversario, 14 anos, e chamou-a.

Disse à menina:

– Mi zim fia, esse é presente que sunce pediu ao seu anjo da guarda, ele não pode vir, mandou o nego te entregar…

A criança marejou os olhos e saiu com o bolo na mão, sentar ao lado da mãe, que chorava muito na assistência. Em 14 anos, nunca havia ganhado um bolo de chocolate….Nunca mais voltou, nunca mais vimos. E nunca esquecemos esta história.”

Autor desconhecido