Diferencie o transe de Falangeiros dos Orixás na Umbanda

transe de de Falangeiros dos Orixás

O transe na Umbanda é mediúnico e acontece para que haja a comunicação oral dos espíritos manifestantes com os consulentes. É a tradicional incorporação, em que o corpo astral da entidade comunicante interpenetra o corpo astral do médium. Obviamente a intensidade deste mecanismo varia de médium para médium, em conformidade com sua sensibilidade; da irradiação intuitiva à semi-consciência, situação em que o medianeiro lembra-se vagamente do que falou nas consultas.


Os cultos ritualísticos que manifestam os Orixás se dão preponderantemente por um processo arquetípico anímico de transe, que flui do inconsciente do sensitivo, sem incorporação por uma entidade externa ( acontece de dentro para fora ). Os Orixás de regra não falam e se manifestam nas danças e a partir do transe ritualístico se “humanizam”, expressando-se no corpo de quem os “recebe”. O gestual simbólico que realizam revive o mito antigo e harmoniza o ambiente e o inconsciente coletivo dos circunstantes, que se ligam reciprocamente por laços de afinidade espiritual, no mais das vezes fruto de encarnações passadas em clãs religiosos africanos, e aí rememoram a mitologia ancestral pelos movimentos, vestes, sons, cores e gestos das manifestações – estados alterados e superiores de consciência.


Os centros umbandistas ligados a uma ancestralidade africana mais acentuada, podem concomitantemente com os espíritos falangeiros praticarem em seus ritos internos os toques, cantos e louvações litúrgicas para os Orixás, acomodando-se pacificamente o transe anímico ao mediúnico, eis que os mentores da Umbanda do lado de cá convivem harmoniosamente com a diversidade. Em verdade são “infinitas” as possibilidades de interpolações rituais, dado a liberdade que todo sacerdote umbandista juntamente com seus Guias Astrais tem de elaboração litúrgica. Esta “elasticidade” de opções fortalece a Umbanda sem descaracterizar seu corpo normativo central, ditado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, permitindo que cada terreiro tenha uma “identidade” própria, contudo todos sendo Umbanda. Ao contrário do que preconizam muitos cidadãos afeitos as purezas doutrinarias e cartilhas prontas, temerosos do desconhecido e de “novidades”, acomodados que estão no tédio do já sabido assim como a preguiça não pula de galho tão facilmente.

– do livro REZA FORTE.
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Exú no Kardecismo

Exú no Kardecismo

Salve amados irmãos é com muita alegria que recebo esta oportunidade para falar de Exu e vou aproveitá-la para esclarecer um assunto que me parece polêmico: o fato de existir ou não Exu trabalhando junto as correntes kardecistas.
Bem uma coisa é clara, para todos nós, em sua forma característica, eles não incorporam no kardecismo , isso é fato, mas afinal tem ou não espíritos no grau de “guardiões” a proteger o trabalho Kardecista ?

Para que cada um julgue e considere segundo suas concepções do que é um Exu, vou me limitar apenas a transcrever alguns trechos de livros da série “Nosso Lar” de André Luiz , psicografado por Chico Xavier:

* De súbito, um companheiro de alto porte e rude aspecto apareceu e saudou-nos da diminuta cancela, que nos separava do limiar, abrindo-nos passagem. Silas no-lo apresentou, alegremente. Era Orzil, um dos guardas da mansão, em serviço nas sombras. A breve instante, achávamo-nos na intimidade de pouso tépido. Aos ralhos do guardião dois dos seis grandes cães acomodaram-se junto de nós, deitando-se nos aos pés. Orzil era de constituição agigantada, figurando-se nos um urso em forma humana. No espelho dos olhos límpidos mostrava sinceridade e devotamento. Tive a nítida idéia de que éramos defrontados por um penitenciário confesso, a caminho da segura regeneração. “Ação e Reação” pg 62

*Três guardas espirituais entraram na sala , conduzindo infeliz irmão ao socorro do grupo. “Nos Domínios da Mediunidade” pg.53

*Apenas o irmão Cássio, um guardião simpático e amigo, de quem o assistente nos aproximou, demonstrava superioridade moral.”Nos Domínios da Mediunidade ” pg.251

Bem não precisamos nos alongar não é, encontraremos o mesmo tema abordado em várias outras obras de cunho Espirita-Kardecista, só para citar mais uma, do autor J.R.Rochester, que se é polemico no entanto tornou-se um clássico, temos na obra “Os Magos” um certo Abin-ari espirito sem luz que vive de retirar de nosso meio os espíritos rebeldes e “larvais” que se voltam contra a humanidade.

Espero Ter ajudado na compreensão do mistério Exu, que formam uma hierarquia muito forte de trabalhos espirituais no astral, onde muitas destas hierarquias já estavam formadas antes da Umbanda, mas que por ela foram absorvidas sem deixar de prestarem o seu trabalho a outras religiões ou grupos espiritualistas, onde estiver um “guarda do astral”, um “guardião da luz para as trevas”, um “penitenciário confesso” trabalhando no resgate e proteção entre a luz e as trevas lá estará o que na Umbanda se chama Exu, no caso do kardecismo vimos estes guardiões trabalhando no astral, só não tem eles ali a liberdade de ação que encontram na Umbanda de incorporar, fazer descarrego, barganhar com outros incorporados, trabalhar na magia… Porque tudo isso não cabe dentro da dinâmica Kardecista é próprio de Umbanda.

Um abraço de vosso irmão em Oxalá.

Crédito: Alexandre Cumino.

O que tem no cemitério? Cuidados e precauções

entrar num Cemitério
O que há nos cemitérios, afinal de contas, por que causa tanta comoção?
Todo local onde houve a morte ou o sepultamento de muitas pessoas tem uma energia espiritual. Muitos espíritos conservam por algum tempo um vínculo energético com seus corpos. No caso dos espíritos perdidos, muitas vezes o corpo é a maior fonte de energia. Observe que muitos povos antigos usavam ossos em seus rituais, e mesmo no cristianismo, os corpos de santos são (até hoje) tratados como relíquias.
Morar próximo ao cemitério:
A princípio, um observador desavisado com certeza acharia o cemitério um lugar muito tranquilo. Em especial os cemitérios mais novos, que se assemelham a grandes jardins. Um jovem casal conhecido meu procurou uma casa próxima a um cemitério. Antes da mudança, viviam brincando com a situação… “Vizinhança” sossegada, “jardim” bonito para fazer uma boa caminhada. Após a mudança, perceberam que a casa era densa. Tudo estava bem, a vida fluía, mas chegar em casa era sempre complicado. Não conseguiam manter dentro de casa a alegria e a boa saúde que tinham fora. Logo perceberam que precisariam reforçar as limpezas energéticas. Se você vive próximo a um cemitério, basta fazer com frequência as limpezas  proteções.
cemiterio
Espíritos humanos perdidos ou atormentados:
Um cemitério é um local cheio de história. Cheio de pessoas que participaram do mundo e que, hoje, apenas participam da história. Paralelo a isso, temos a informação (e os leitores que tem a mediunidade mais aflorada provavelmente percebem isso também) que uma parcela significativa das pessoas que morrem, infelizmente, não seguem seus caminhos de imediato. Muitas ficam vagando. Para onde vão? Algumas voltam para casa com os familiares, passando a drenar-lhes a energia. Maldade? De forma alguma, eles também precisam de energia, assim como nós. Se vocês ou eu tiramos nossa energia da alimentação, da água, do sono, da respiração, e se os mortos já não fazem mais isso, por consequência irão pegar essa energia onde for possível. Na casa (ou melhor, nos moradores), por exemplo, especialmente se ha magoas, apego excessivo ou ainda se a família não favorece a partida de seus mortos. Outros desses espíritos que ficam por aqui, ficam com endereço certo: cegos por mágoas, raiva, apego, querem vigiar um, se vingar de outro, ou apenas ficar perto de alguém querido. Não veem que a separação que ocorre ao morrer é apenas uma ilusão que temos enquanto vivos. Um grande grupo desses espíritos que não seguiram seus caminhos, não voltam para casa, especialmente se notam que a energia lá está muito diferente da dele (devido à limpezas, por exemplo, e manutenção de um ambiente harmonioso, devido a haver outros moradores em seu antigo lar, etc.). Também não querem se vingar de ninguém, ou apenas não conseguem. Ficam presos a única coisa que lhes resta para fornecer pequenos bocados de energia: seus corpos. Vagam pelo cemitério. A realidade física e espiritual se mescla ao cenário mental desses espíritos, geralmente atormentados por culpas, mágoas, ou simplesmente assustados por não compreenderem o que se passa.
Larvas astrais e formas-pensamento densas:
Além de espíritos perdidos e com pouca luz (ou seja, só por aí aquele plano de ir tentar contato no cemitério por curiosidade, ou por aventura, ou até com boas intenções, já é uma ideia péssima), no cemitério há também outros tipos de entidades. Larvas astrais são criadas ou atraídas pelos pensamentos e sentimentos densos, tanto dos mortos que la ficaram como dos amigos e familiares que vão ate la (geralmente em momentos de pouca paz interior). Essas criaturas semi conscientes tornam o ambiente pesado, fazendo mal aos encarnados e aos desencarnados. Elas causam mal estar, desespero, medo, e se alimentam dos fluídos energéticos que desprendemos quando nos encontramos nesses estados emocionais. Há também as formas pensamento, ou seja, ideias, sentimentos, crenças, enfim, todo tipo de conteúdo mental que ganha força e é plasmado no local, afetando aos espíritos bem como aos visitantes encarnados.
cemiterio
Outras entidades:
Inúmeras religiões falam sobre entidades que habitam os cemitérios ou que lá encontram seus pontos de força. Alguns orixás, exus e pombagiras, deuses ligados à morte, à destruição, alguns demônios… Quero deixar claro que nem sempre essas entidades são ligadas ao “mal”, ver a questão assim seria algo raso, algo muito marcado pela condição de mortais encarnados que somos por enquanto. Outro ponto: de certa forma, todas esses pontos de visa quanto à espiritualidade são corretos. O fato é que muitas dessas entidades apenas zelam pela organização e bom andamento do local, muitos deles inclusive fazem a limpeza e vigia astral, ou até o resgate de espíritos perdidos, prestando-lhes os primeiros socorros e encaminhando para seus lugares. Isso não significa que essas entidades sejam tranquilas e amistosas, geralmente não são pelo próprio peso do trabalho que fazem. Alguns, infelizmente, não são bem intencionados, e vivos e mortos devem ter cuidado, evitando-se mexer com o que não se conhece muito bem. Alguns desses mal intencionados são, até mesmo, espíritos humanos, de ética duvidável, que sabem muito bem o que estão fazendo e se aproveitam dos espíritos confusos e de pouca luz para escravizá-los para que os sirvam de diferentes modos.
Quais os riscos?
Se for grosseiro e desrespeitoso com alguma entidade, elas podem querer “responder” ao modo delas, especialmente aquelas com pouca ética. Caso esteja afinado com energias densas (mesmo por um mal estar emocional, por estar debilitado fisicamente) fica mais fácil ser atacado ou influenciado por larvas astrais, pode até mesmo levar um obsessor. Falando assim parece um tanto abstrato, mas esses ataques espirituais têm força, já vi pessoas com a vida completamente desordenada por conta de problemas do tipo.
Quais cuidados tomar?
– Óbvio, mas vamos lá: não vá ao cemitério sem precisar. Caso vá, que não seja para “tentar contato”, ou para “ajudar os espíritos perdidos”. Você não vai ao hospital da sua cidade ver que os doentes de fato estão lá, nem vai “ajudar” o cirurgião cardíaco a operar seus pacientes sem ter a formação necessária e sem ter sido requisitado para isso, certo? No cemitério também, acredite, há entidades trabalhando duro nisso, não há necessidade da sua interferência ou, mais provável, de que você se coloque em risco.
– Muitas tradições têm cuidados específicos para entrar e sair do cemitério, em alguns casos, isso é bastante elaborado, com oferendas e orações específicas a diversas entidades. Eu costumo pedir licença ao entrar. Se você não segue uma tradição específica, pode parar no portão (ainda do lado de fora) e dizer algo como “peço licença aos guardiões deste local para entrar e (complete com o que vai fazer: orar, visitar um ente querido, fazer um ritual ou oferenda…) em suas terras”.
– Também gosto de cobrir a cabeça, dependendo do que vou fazer.
– Na minha profissão brincamos que hospital não é shopping. Bem, cemitério também não é. Vá apenas com o essencial. Roupas simples, evite acessórios desnecessários, leve só o que irá precisar.
– Pode ir com um amuleto ou algo assim para proteção. Eu tenho um específico para cemitérios, que mantenho do lado de fora de casa e uso somente nessas ocasiões.
– Sempre que vou ao cemitério, pelo motivo que for, gosto de passar no cruzeiro ou na capela e oferecer algo (ainda que “apenas” uma oração) para aqueles que habitam o local.
– Decoro faz bem em todas as ocasiões. Não faça comentários impróprios, muito menos faça troça do local, dos túmulos, dos habitantes… Seja discreto e educado.
– Assim que chegar na sua casa, tire os sapatos, para não levar a terra ou o pó do cemitério para dentro. Se você visita o local com frequência, talvez queira deixar um sapato apenas para este fim.
– Lave toda a roupa que usou, ou pelo menos coloque de molho num balde com água e anil.
– Tome seu banho de higiene comum, e a seguir um de purificação (por exemplo, de arruda, de palha de alho, de anil… rosas brancas também é ótimo e mais suave para a aura).

É demanda, foi trabalho feito. Não é bem assim

trabalho feito

Por mais que se tenham livros, estudos e orientações das entidades, para a maioria dos filhos na umbanda ainda prevalece como verdade acusar outros por suas infelicidades. Buscam constantemente respostas para suas mazelas. São insatisfeitos, vivem constantemente em situações tumultuadas e exageradas. O conforto, a satisfação, acontece apenas quando encontram respostas do tipo “foi trabalho feito” ou “ é tal pessoa que prejudica”. E não importa de onde vem estas conclusões, desde que alguém levante a questão.

Ignoram os conselhos das entidades, os passes, as vibrações energéticas que recebem, o acolhimento e a proteção de uma egrégora espiritual.

É lamentável ver filhos da Umbanda acusando o outro por demandas e feitiços. É lamentável ver filhos da Umbanda cantando com grande entusiasmos curimbas que pedem “pra amarrar o inimigo”. É lamentável ver que a paz, a harmonia, a serenidade que nossos mentores e entidades nos pedem tanto, seja ignorado. É lamentável que pessoas equivocadamente acusam e elegem outros como autores de suas infelicidades, de suas incompetências, de suas limitações.

Nascemos de ventres livres, porém, muitos ainda insistem em viver no cativeiro da ignorância, da irresponsabilidade e da incompetência de suas vidas. Constroem ilusões, tumultuam os fatos exigindo respostas de imediato.

Cada um é responsável por suas escolhas e por suas companhias espirituais.

Na Umbanda a espiritualidade manifesta para a prática da caridade. Qualquer ação contrária fere a lei divina, fere o amor das entidades que acolhe, protege e salva diariamente seus filhos das ignorâncias, das fraquezas e maldades que carregam.

Ser filho da Umbanda é confiar na aldeia, na egrégora que o acolhe. É assumir as conseqüências de suas escolhas, de seus pensamentos e comportamentos tendo a certeza de que aprenderá a produzir boas sementes em seu coração e cultivar de fato um lindo jardim.

Saravá!
Mãe Márcia Moreira
Templo de Umbanda Caboclo Pena Branca – Taubaté SP. 30/03/2016