Saci Pererê na Umbanda

saci pererê na umbanda

A figura do Saci surge ora como um ser maléfico, ora como somente brincalhão ou gracioso, conforme as versões comuns ao sul do Brasil.

 

Saci Pererê na Umbanda

Os sacis raramente baixam nos terreiros e são entidades brincalhonas e tranquilas que pulam em uma só perna, podendo se manifestar como um erê,  geralmente como um exu-mirim, ou como caboclos feiticeiros, e mais raramente como pretos-velhos.

 

Saci Pererê na Umbanda

A história do Saci Pererê

Na Região Norte do Brasil, a mitologia africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje. Herdou também a cultura africana do pito, uma espécie de cachimbo, e da mitologia européia, herdou o píleo, um gorrinho vermelho.

A Lenda do Saci data do fim do século XVIII. Durante a escravidão, as amas-secas e os caboclos-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras dele. Seu nome no Brasil é de origem Tupi Guarani. Em muitas regiões do Brasil, o Saci é considerado um ser brincalhão enquanto que em outros lugares ele é visto como um ser maligno.

Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas, fazer tranças nas crinas dos cavalos, etc. Diz a crença popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Dizem que Ele não atravessa córregos nem riachos. Diz a lenda que, se alguém jogar dentro do redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira, pode capturá-lo, e caso consiga pegar sua carapuça, pode realizar um desejo.

Alguém perseguido por ele, deve jogar em seu caminho cordas ou barbantes com nós. Ele então irá parar para desatá-los, e só depois continua a perseguição, o que dá tempo para que a pessoa fuja. Aqui, percebe-se a influência da lenda da Bruxa Européia, que é obrigada a contar os fios de um feixe de fibras, antes de entrar nas casas.

Do Amazonas ao Rio Grande do sul, o mito sofre variações. No Rio Grande ele é um menino de uma perna só, que adora atormentar os viajantes noturnos, fazendo-os perder o caminho. Em São Paulo é um negrinho que usa um boné vermelho e freqüenta os brejos, assustando os cavaleiros. Se o reconhece o chama pelo nome, e então foge dando uma espetacular gargalhada.

A função desta “divindade” era o controle, sabedoria, e manuseios de tudo que estava relacionado às plantas medicinais, como guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de chá, mezinhas, beberagens e outros medicamentos feitos a partir de plantas.

Como suas qualidades eram as da farmacopéia, também era atribuído a ele o domínio das matas onde guardava estas ervas sagradas, e costumava confundir as pessoas que não pediam a ele a autorização para a coleta destas ervas.

Segundo a lenda, o Saci está nos redemoinhos de vento e pode ser capturado jogando uma peneira sobre os redemoinhos. Após a captura, deve-se retirar o capuz da criatura para garantir sua obediência e prendê-lo em uma garrafa.

Diz também a lenda, que os Sacis nascem em brotos de bambus, nestes eles vivem sete anos e após esse tempo, vivem mais setenta e sete para atentar a vida dos humanos e animais, depois morrem e viram um cogumelo venenoso ou uma orelha de pau.

Em 2005 foi instituído o Dia do Saci no Brasil, comemorado no dia 31 de outubro, a fim de restaurar as figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao Halloween.

O Halloween, Dia das Bruxas, dos santos e sacis

O “Dia das Bruxas” vem de uma comemoração do povo Celta, realizada no final do verão no hemisfério Norte, entre os dias 31 de Outubro e 02 de Novembro.

É véspera do “Dia de Todos os Santos” e, sabe-se, onde os fortes se reúnem, o mal ataca com mais força! Digo isso porque o “Dia das Bruxas” se originou da crença dos Celtas, um povo pagão, que os portais entre o mundo dos mortos e dos vivos se abriria totalmente no dia 31 de Outubro, e os espíritos que não tinham encontrado a luz se apossariam dos corpos dos vivos ou para orientá-los sobre a vida de alegrias infinitas após a morte terrena.

Em inglês também existe a denominação All Hollow’s Eve que significa, mais ou menos, “véspera de todas as assombrações” e tem a ver com o sagrado pôr-do-sol desta data, a Hallowed Evening (fim-de-tarde sagrado), que deu origem ao termo Halloween.

A festa foi condenada pela inquisição da Europa Medieval. Um dos “amuletos” usados para afastar os mortos era a caveira na porta de casa, indicando que, ali, não haveria alguém vivo para ser apossado. Esta e outras imagens assustadoras eram comuns e lendas como a de “Jack”, o homem que conduzia os mortos de volta ao cemitério com sua lanterna, feita num nabo recortado com uma vela dentro, deram origens a novos símbolos conhecidos, como a abóbora do “Dia das Bruxas”, chamada Jack O’Lantern (Jack da Lanterna). Também a depressão econômica europeia levou a várias revoltas violentas com participações de crianças de onde depois surgiu a tradição de pedir doces nas portas das casas, em troca de não fazerem travessuras.

A verdadeira história do Halloween

 

 

Chegando ao Brasil

Um sincretismo curioso aconteceu quando a Igreja Católica, na incapacidade de vencer totalmente a data pagã com sua inquisição, consagrou para dia 02 de Novembro como o “Dia de Finados”, diminuindo a influência pagã na Europa.

No Brasil, contudo, muitos defendem que a data nada tem a ver com nossa cultura e, portanto, deveria ser deixada de lado, argumentando que o Brasil tem um rico folclore que deveria ser mais valorizado. Assim, o governo brasileiro criou, em 2005, o “Dia do Saci” (comemorado também em31 de outubro), uma figurinha conhecida por nós, pregadora de peças e cobrador do que se promete.

Os Celtas são um povo pré-cristão, portanto não existe a relação entre a bruxaria com a figura do Satanás, pois este é um personagem católico e cristão. O mesmo ocorre com a Umbanda que, mesmo sendo uma doutrina sincrética com o Cristianismo, não admite a figura do mal e entende que o mal só é causado pela falta de consciência do que é, Verdadeiramente, o bem.

Alguns umbandistas, médiuns e atuantes espirituais, não têm nenhum problema em se aceitarem como bruxos e bruxas e muito se faz o uso das energias do dia 31 de Outubro para facilitar o contato com pessoas queridas desencarnadas e conduzi-las em seu caminho para a outra vida, ou mesmo para trabalhos com Exus e Pomba-giras para que afastem os espíritos apegados à Terra que possam nos fazer mal.

Feitiços, magia, mágica, xamanismo, bruxaria, simpatia, trabalho, curanderia… Estes e outros termos nos confundem: “a palavra bruxaria, segundo o uso corrente da Língua Portuguesa, designa as faculdades sobrenaturais de uma pessoa”. Deve-se tomar cuidado! Para entendermos algumas diferenças é necessária uma pesquisa mais profunda, pois na Idade Média, praticamente tudo o que não seguia os dogmas católicos à risca, era chamado bruxaria e, mais importante que o nome, é compreender o propósito e o que estamos buscando nas forças do outro lado.

Em geral, quem crê nas forças espirituais, em sua ação na Terra, deve procurar sempre fazer o bem, ser muito consciente do que faz e respeitar dois princípios Divinos e básicos da espiritualidade: O Livre-Arbítrio e a Lei de Causa e Efeito. Pois nada deve ser feito contra a vontade de alguém ou contra os Desígnios de Deus pois, a consequência pode trazer o mal a quem fez a ação e à pessoa que foi “alvo” da ação.

Uma feliz comemoração a todos! Que os entes queridos que faleceram encontrem seu caminho com alegria e, no nosso momento, retornem e ajudem-nos a entender que a morte é uma partida de paz em direção à Evolução Espiritual, à paz e a Deus!

Mais sobre o “Dia das Bruxas”ou “Halloween”

Tomar um banho de atração no “Dia das Bruxas” pode ajudar você a trazer aquele amor de volta ou seduzir aquela pessoa que nem sabe que você existe.

Símbolos do Halloween, o “Dia das Bruxas” comemorado em 31 de outubro (com banhos especiais para a data).

Dia das bruxas, Halloween, Samhain e Beltane – o que estas festas pagãs tem em comum?

Fonte: Raízes Espirituais

Vovó Francisca da Guiné

A curandeira do Quilombo!

Ela nasceu próximo a Buba, na Guiné-Bissau da África, um território sob o domínio português, no século XVIII. Foi trazida ao Brasil junto com sua família, ainda criança. No Porto do Rio de Janeiro, foi vendida com sua mãe e os quatro irmãos para uma fazenda ao norte da região de Goiás. Ela estava assustada, não entendia nada do que estava acontecendo. Quando chegaram à Fazenda, seus irmãos foram separados e enviados às diferentes áreas para trabalhar na lavoura. Ela e a mãe ficaram na propriedade principal, para trabalhar na casa dos patrões.
Quando chegou à Sede da Fazenda, seus olhos se fixaram em uma imagem sobre o portal da casa. Perguntou para a mãe quem era aquele homem, mas ela não sabia. A imagem era de São Francisco de Assis, pois esse era o nome da Fazenda. Ela achou a imagem parecida com um dos Deuses Africanos e isso aliviou seu coração. Com o tempo ela e a mãe estavam adaptadas a rotina da fazenda. Uma vez por mês podiam ver os irmãos pois, apesar de ser uma época de escravidão, a esposa do Senhorio da fazenda era uma pessoa boa que tratava os escravos com dignidade. Ela mantinha uma escola na fazenda e ensinava todas as crianças a ler e a escrever.
Com o tempo, Francisca, como passou a ser chamada por gostar tanto da imagem do santo, tornou-se uma moça prendada que fazia com prazer todos os serviços da casa. Ela assumiu a faxina e a cozinha e passou a cuidar dos sinhozinhos que nasciam. Ela mesma casou-se com um negro da fazenda de nome Tomaz. Tiveram 3 filhos e viviam na vila de casas da fazenda. Seus irmãos também haviam se casado e moravam na mesma vila.
O século XIX estava iniciando e, apesar da escravidão, tinham uma vida calma na Fazenda São Francisco. Mas, essa tranquilidade não durou para sempre, pois haviam muitas disputas entre abolicionistas e escravocratas. O proprietário da fazenda faleceu e sua esposa, que estava idosa, não conseguiu evitar um ataque. Seus filhos e netos reuniram pessoas para lutar, mas muitos perderam a vida nessa disputa. Alguns negros assustados fugiram para os Quilombos. Francisca não queria abandonar a patroa que havia lhe tratado tão bem. Sua mãe já havia falecido e dois de seus irmãos morreram na luta. A própria patroa lhe aconselhou a fugir para o Quilombo, reunindo os demais negros, pois os outros fazendeiros não descansariam enquanto não acabassem com a vila da fazenda.
Francisca deixou a fazenda com seu esposo e outros negros e foram em direção ao Quilombo das Matas, no extremo norte de Goiás. Enquanto eles fugiam passaram por muitos perigos, mas conseguiram chegar ao Quilombo. A partir desse momento uma nova vida iniciou para eles. Francisca começou a conhecer melhor a história da escravidão no Brasil, através dos negros fugidos que chegavam ao Quilombo. Também começou uma nova etapa de sua jornada terrena. Ela começou, juntamente com seu esposo, a se dedicar a todos que precisassem de atendimento, oração e auxílio. Aos poucos foi benzendo e curando as crianças e idosos, depois todos começaram a pedir sua ajuda.
O tempo passou e Francisca tornou-se conhecida como Vó Francisca. Seu esposo Tomaz havia falecido e seus filhos já estavam adultos e casados. No Quilombo todos ouviram falar de uma Lei que libertaria os escravos, mas ainda não sabiam se era verdade. Francisca morreu sem saber que a Lei Áurea havia sido assinada. Ela descansou ao lado do esposo, no cemitério do Quilombo.

Conto: Eu pedi para Ogum

Eu Pedi para Ogum

Eu Pedi para Ogum

Eu pedi a Ogum, para retirar os meus vícios.
Ogum disse: Não!
Eles não são para eu tirar, mas para você desistir deles.

Eu pedi a Ogum , para fazer meu filho aleijado se tornar completo.
Ogum disse: Não!
Seu espírito é completo, seu corpo é apenas temporário

Eu pedi a Ogum para me dar paciência.
Ogum disse, Não!
Paciência é um subproduto das tribulações; Ela não é dada, é aprendida.

Eu pedi a Ogum para me dar felicidade.
Ogum disse: Não!
Eu dou bênçãos; Felicidade depende de você.

Eu pedi a Ogum para me livrar da dor.
Ogum disse: Não!
Sofrer te leva para longe do mundo e te traz para perto de mim.

Eu pedi a Ogum para fazer meu espírito crescer.
Ogum disse: Não!
Você deve crescer em si próprio! Mas eu te podarei para que dês frutos.

Eu pedi a Ogum todas as coisas que me fariam apreciar a vida.
Ogum disse: Não!
Eu te darei a vida, para que você aprecie todas as coisas.

Eu pedi a Ogum para me ajudar a AMAR os outros, como Ele me ama.
Ogum disse: . Ahhhh, finalmente você entendeu a ideia.. Muita Luz!

Caboclo Arranca Toco

Caboclo Arranca Toco

Seu Arranca Toco é um caboclo muito conhecido mas alguns desconhecem sua origem, este guia é o chefe da falange dos Caboclos de Obaluaye, esses caboclos são raros, pois são espíritos dos antigos “bruxos” das tribos indígenas. São perigosos, por isso só filhos de Omulu de primeira coroa possuem esses caboclos. Sua incorporação parece um Preto-velho, locomovem-se apoiados em cajados. Movimentam-se pouco. Fazem trabalhos de magia, para vários fins.

A história conhecida deste caboclo é que foi um feiticeiro e que ajudava muit sua tribo ensinando o poder das ervas, fontes não concretas dizem que vivia numa tribo na América Central e foi morto na colonização dos espanhóis.

O seu modo de agir em terra é parecido com os Exus, não são de falar muito preferem efetuar seu principal trabalho que é transformar energias negativas em boas, espiritualmente os caboclos desta falange são grandes pajés e feiticeiros e tem um grande conhecimento de ervas, o principal subordinado do Caboclo Arranca Toco é o Caboclo Araúna que também trabalha na linha de Obaluaye. Outros caboclos desta linha são: Caboclo Jacuri, Jariuna, Caramuru, Bugre, Iucatan, Pena Roxa, Pena Preta, Caboclo Roxo, Uiratan, Pantera Negra, Jaguariuna, Bauru. O sufixo “Una” quer dizer “Negra” em tupi sendo assim todo caboclo que usar isto no nome tem ligação com Obaluaye.

Que Oxalá nos abençoe sempre.

Preçe do Zé Pilintra da Beira do Cais

Beira do Cais

Sou livre, sou liberdade.
Caminho por onde ninguém caminha.
Ter medo?
Já o tive!
A noite é minha companheira.
Das trevas faço a luz.
Da luz faço o amor.
Do amor emano minha energia.
Já fui ébrio, fui boêmio.
E neste mundo, muito errei.
Na malandragem, eu era rei.
A vida passou e a morte chegou.
Malandro ainda sou.
Salve a Umbanda.
Salve toda Aruanda .
Salve a verdadeira Paz.
Sou Zé Pilintra da Beira Do Cais.

Pontos Cantados de Exú Tiriri

Exú Recebe Oferendas

“Exu Tiriri de Umbanda

Dono da encruzilhada

Risca o ponto, presta conta

Ao romper da madrugada

O mal que aqui entrou

Ele entrou e vai sair

Pegou ele pelo rabo

E entregou pro Tiriri”

Pedra rolou, katatumba gemeu;
Pedra rolou, katatumba gemeu
E quem vem lá é exu Tiriri Lonã (2x)
E quem vem lá é exu Tiriri Lonã (2x)

Ele vê lá da encruzilhada
Traz consigo seu mistério e uma espada
Foi Pai Ogum que mandou (2x)
Foi Pai Ogum que mandou (2x)

SEU TERNO BRANCO
SUA BENGALA
SEU TERNO BRANCO
SUA BENGALA
NA ENCRUZILHADA
EXI TIRIRI
DÁ GARGALHADAS (BIS)

Já bateu a meia-noite
Vamos ver quem vem aí (bis)
Pra firmar nossa corrente
Vem chegando o Tiriri (bis)

 

“Você não mora onde moro
Você não vê o que eu vi
Lá no meio do cruzeiro
Ele é o exu Tiriri”

Já deu meia noite lá na encruzilhada
Solte o galo preto exu da madrugada (2x)
Lá na encruza eu vi o exu Rei
Eu vi seu Tiriri e com Ele eu falei (2x)

Eu vi exu dando gargalhada,
Com tridente na mão e sua capa bordada
Ele é Exú Tiriri
Morador lá da calunga,
Vai firma seu ponto aqui (2x)

Seu Tiriri tem 7 obé de ouro (2x)
Não mexa com esse Exú
Esse Exú é o meu tesouro

Quem tem medo de vir na encruzilhada
Põe coragem no peito e vem aqui
Quem tem medo do escuro da madrugada
Põe coragem no peito e vem aqui
Não se assuste ao ouvir a gargalha
Continue em silêncio, demonstre respeito
É o Exu TIRIRI
É o Exu TIRIRI
É o Exu TIRIRI

Vai lá que vai lá na porteira
Vai na porteira à meia noite
Val lá que vai lá na porteira
Vai na porteira à meia noite
Bebe marafo que nem água
Quem é que vai dizer que o Tiriri não bebe é nada?
Bebe marafo que nem água
Quem é que vai dizer que o Tiriri não bebe é nada?

Seu Tiriri é um Exú valente
Que ajuda tanta gente e vai me ajudar (bis)
Com seu tridente, capa e cartola
Ele veio agora pra me ajudar
E o seu Garfo ta apontado pra lua
Ele é o Rei da Rua
Ninguém pode duvidar!!!!!!!!!! (bis)

Olha quem vem lá no portão…
Olha quem vem lá no portão…
De Capa e Cartola com o pé no chão…
De Capa e Cartola com o pé no chão…
Será seu Tiriri?
Será? Será?
Será seu Tiriri?
Será, Será?

DEU MEIA NOITE, DEU MEIA NOITE JÁ
DEU MEIA NOITE, DEU MEIA NOITE JÁ
OLHA O SAPO, QUE PULO NO CHÃO
ANDORINHA QUE VOA NO AR ELE QUERIA
SER DOUTRO, MAS A UMBANDA LHE CHAMOU…
E TIRIRI JÁ VEM
VEM LEVANTANDO A POEIRA
TIRIRI JÁ VEM
PRA FIRMAR A SUA PORTEIRA
TIRIRI É CABRA MACHO
NÃO TEM MEDO DE AMEAÇA
DE FEITIÇO E NEM DESPACHO
DISSO TUDO ELE ACHA GRAÇA
MAS ELE É
UM EXU DE MUITA LUZ
QUEM TEM MEDO
FOGE DELE
COMO O DIABO DA CRUZ

Seu Tiriri toquinho
Quando vem pra trabalhar!
Ele vem beirando o rio!
Ele vem beirando o mar!… (2x)
Porque ele é Tiriri
Mas ele é Tiriri

Eu encontrei Sr. Tiriri na madrugada ele chorava pelo amor de sua amada
Ele chorava por uma mulher, ele chorava por uma mulher, ele chorava por uma mulher que não lhe amava
E a mulher que não lhe amava e a mulher que não lhe amava
Amava outro pela alta madrugada

Vou fazer minha oração
Sr. Tiriri foi que me deu (2x)
Minha oração tem mironga
Meus inimigos não me tombam (2x)

Se criou em mato grosso, hoje vive em Nazaré
Se criou em mato grosso, hoje vive em Nazaré
Mas dizem que ele é Rei Tiriri
Mas dizem que ele é Rei Tiriri
Glória! Aleluia, rei Tiriri
Tiriri é o rei, Tiriri é o rei.

Exu Tiriri, Lonã
Lonã, cadê o Tiriri
Mas ele veio de Aruanda, prá salvar filhos de Umbanda
Exu Tiriri, Lonã.

Baiano Zé do Coco

zé do coco

Durante muitos anos a linha dos baianos foi renegada e os trabalhos feitos com ela eram vistos com restrições. Dizia-se que por não ser uma linha diretamente ligada às principais, era inexistente, formada por espíritos zombeteiros e mistificadores. Aos poucos eles foram chegando e tomando conta do espaço que lhes foi dado pelo astral e que souberam aproveitar de forma exemplar.

Hoje se tornaram trabalhadores incansáveis e respeitados, tanto que é cada vez maior o número de baianos que está assumindo coroas em várias casas. A alegria que essa gira nos traz é contagiante. Os conselhos dados aos consulentes e médiuns demonstram uma firmeza de caráter e uma força digna de quem soube aproveitar as lições recebidas.

Atualmente já temos o conhecimento de que fazem parte de uma sublinha e nessa designação podem vir utilizando qualquer faixa de trabalho energético, ou seja, podem receber vibrações de qualquer das sete principais. Têm ainda um trânsito muito bom pelos caminhos de exu, podendo trabalhar na esquerda a qualquer momento em que se torne necessário. Cientes dessa valiosa capacidade, nós dirigentes, sempre contamos com eles para um desmanche de demanda ou mesmo sérios trabalhos em que a magia negra esteja envolvida. Com eles conseguimos resultados surpreendentes.

Os que não admitem essa linha como vertente umbandista defendem sua posição criticando o nome que esses espiritos escolheram para seu trabalho. Já ouvi coisas do tipo “Daqui a pouco teremos linhas de cariocas, sergipanos, etc.” Esquecem eles que a Bahia foi escolhida por ser o celeiro dos orixás. Quando se fala nesse estado, nossos pensamentos são imediatamente remetidos para uma terra de espiritualidade e magia. O povo baiano é sincrético e ecumênico ao extremo, nada mais natural que sejam escolhidos para essa homenagem de lei que é como se deve ver a questão. Vale ainda lembrar que nem todos os baianos que vêm à terra realmente o foram em suas vidas passadas, esses espiritos agruparam-se por afinidades fluídicas e dentre eles há múltiplas naturalidades.

É evidente que no inicio a Umbanda era formada por legiões de caboclos, preto-velhos e crianças, mas a evolução natural acontecida nestes anos todos fez com que novas formas de trabalho e apresentação fossem criadas. Se a terra passa por constantes mutações porque esperar que o astral seja imutável? O que menos interessa em nosso momento religioso são essas picuinhas criadas por quem na verdade, não defende a Umbanda, quer apenas criar pontos polêmicos desmerecendo aqueles que praticam a religião como se deve, dentro dos terreiros, onde abraçamos a todos os amigos espirituais da forma como se apresentam.

Reforma Moral

A questão 895 de O Livro dos Espíritos, no capítulo que trata da Perfeição Moral, Allan Kardec indaga: “Postos de lado os defeitos e os vícios acerca dos quais ninguém se pode equivocar, qual o sinal mais característico da imperfeição?” Ao que os Espíritos Superiores respondem: “O interesse pessoal. (…) O apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade, porque, quanto mais se aferrar aos bens deste mundo, tanto menos compreende o homem o seu destino. Pelo desinteresse, ao contrário, demonstra que encara de um ponto mais elevado o futuro.”
Dependendo do ponto de vista que tem a respeito da própria vida, o homem pode tomar atitudes diversas: se tem dúvidas com relação à sua condição de Espírito imortal, que continuará a existir e a progredir depois da morte do corpo físico, ele se apega aos valores materiais, que são temporários; se, ao contrário, está convicto da sua imortalidade, ele administrará os bens materiais como quem está com a responsabilidade de cuidar de algo por tempo determinado, findo o qual deixará na matéria o que é da matéria, prestando contas da sua administração, e conquistando valores espirituais, estes sim permanentes, que decorrem do respeito e do amor ao próximo que pratica.
O excessivo apego às coisas materiais leva o homem ao cultivo do orgulho e do egoísmo e, por conseqüência, a toda desagregação social que ambos provocam. E quando isto ocorre, esse homem busca, inquieto, soluções as mais diversas, apelando para reformas sociais, reformas econômicas ou reformas políticas, muito válidas, sem dúvida, mas que por si não são suficientes para eliminar suas angústias.
Uma única reforma, se faz necessária, que está na base de todas as demais: é a reforma moral do ser humano, a qual consiste em substituir o orgulho pela humildade e o egoísmo pela fraternidade. Esta reforma será sempre mais consistente quanto mais convicto estiver o ser humano de sua imortalidade.
Com esta transformação moral constrói-se uma paz duradoura para toda a Humanidade, evita-se a guerra entre seres e nações, elimina-se a miséria e a ignorância no mundo e distribuem-se com equanimidade os valores econômicos entre todos os seus habitantes. Isto porque não se pode pretender uma sociedade justa constituída por seres injustos, nem, tampouco, uma sociedade fraterna e solidária constituída por seres violentos.
Analisando as conseqüências decorrentes da convicção que a Doutrina Espírita nos traz – de que somos Espíritos imortais em constante processo de evolução; já existíamos antes de nascer e vamos continuar a existir depois da morte do corpo físico; temos um claro objetivo a alcançar que é o nosso aprimoramento intelectual e moral, como Espírito encarnado ou desencarnado –, Allan Kardec não teve dúvidas em afirmar: “O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza.” (O Livro dos Espíritos, q. 918; O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 3.)
E Jesus, depois de nos alertar para não andarmos muito cuidadosos com as coisas da matéria, já nos ensinava no seu Evangelho: “Buscai primeiramente o Reino de Deus e a sua Justiça e todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo.” (Mateus, 6:33.)
Fonte: Revista Reformador Out/05

Mediunidade de Incorporação na Umbanda

A palavra “incorporar” tem vários significados:
– Ela nos dá a idéia de unir, (incorporar alguma coisa a algo que já temos; unir conceitos ou práticas);
– Igualmente, nos traz o sentido de reunir ou fazer fusões, (de empresas, instituições, etc.);
– Também a de introduzir, (incorporar um conceito: assimilar e aplicar esse conceito a alguma coisa que já fazemos);
– E ainda sugere a idéia de dar forma física, forma material ou forma corpórea, (dar corpo).
Na Umbanda, dentro do campo da mediunidade, falar em “incorporação” sugere a idéia de “dar passagem a uma Entidade”, geralmente um Guia Espiritual que vem trazendo uma mensagem de orientação; outras vezes, ocorre a incorporação de Encantados (ex.: a de Crianças) ou a de Naturais (ex.: a do Orixá do médium).  E a vontade de incorporar deixa muitos médiuns angustiados !
Uns, porque temem o fenômeno- esquecidos de que, na incorporação o que acontece é uma espécie de união de dois mentais : o do Guia Espiritual ou Entidade e o do médium, que se sintonizam, “unindo” os respectivos campos áuricos, para que um possa expressar suas idéias e “falar com a voz do outro”- isso, resumindo na forma mais simples.
Mas o que vai “ganhar corpo”, ou “ganhar forma”, é a expressão das idéias do Guia Espiritual ou da Entidade, bem como a energia do arquétipo. Ao incorporar, os Amparadores da Luz certamente que não se apossam do corpo do médium, apenas irão moldá-lo às próprias características, fazendo com que o médium assuma todo um gestual e movimentos de apresentação do arquétipo que representam, (postura corporal, dança, giros, forma de caminhar, ritmo etc.). E aqui se pode, inclusive, distinguir a psicofonia, estudada no Espiritismo, da mediunidade de incorporação na Umbanda. A incorporação é mais do que “falar por intermédio do outro”, pois também envolve que o médium assuma características do Ser que se manifesta por meio da sua mediunidade e não se limita à comunicação com espíritos desencarnados.
No início da atividade mediúnica, acontece de o médium ficar angustiado, querendo logo incorporar, para “se sentir médium”; ignorando talvez que existem outras formas de mediunidade, igualmente importantes, tais como:
a) a intuitiva ou de pressentimentos – na qual o médium sente ou recebe intuições de Guias Espirituais e Entidades, (sem vê-los e nem ouvi-los, propriamente);
b) a sensitiva- na qual o médium “sente” a presença de espíritos ou de energias extra físicas, (sem vê-los ou ouvi-los);
c) a auditiva- na qual o médium apenas ouve as mensagens dos espíritos ou das Entidades;
d) a da clarividência- na qual o médium vê os seres e/ou energias astrais do local onde está ou de um lugar no espaço distante dali ; ou visualizando “cenas do passado” ; ou ainda pela psicometria, (“vendo” cenas do passado ou captando energias do passado, ao tocar objetos, roupas, etc.);
e) de desdobramento ou sonambúlica. Não confundir com sonambulismo, situação em que a pessoa adormece e fala, ela mesma, sobre o que está à sua volta. Porque no desdobramento o médium “se solta”, desprende-se parcialmente do corpo físico, acessa e descreve o que está vendo da realidade não-material, podendo receber e passar as mensagens que os espíritos ou Entidades vão ditando (exemplo raro: Chico Xavier psicografava numa reunião mediúnica em Minas Gerais. Em desdobramento, participou de uma reunião mediúnica extra física e lá também psicografou, transmitindo a mensagem de um filho desencarnado à mãe também desencarnada. Mãe e filho se encontravam em regiões astralinas diversas, a mãe sofria por não ter notícias dele.);
f) psicografia- na qual o médium escreve textos ditados pelos espíritos e Entidades ou, então, sob a orientação deles, a partir de idéias básicas que recebe e desenvolve;
g) de cura- pela qual, mesmo sem incorporar, o médium pode aplicar passes que irradiam energias de cura, bem como fazer projeções de energias curadoras à distância;
h) a que permite falar ou entender línguas estrangeiras que não são do conhecimento do médium, que é a xenoglossia ;
i) a que permite pintar ou desenhar, sob a instrução de artistas já desencarnados; também chamada de pictórica ou pintura mediúnica;
j) a olfativa, que permite ao médium sentir perfumes e odores de uma realidade não-física;
i) a de materialização, pela qual os Guias Espirituais e Entidades se utilizam de energias do médium, (ectoplasma), para se materializar diante das pessoas ou para materializar objetos etc. Exemplo elevado é o de Jesus que, entre outros, materializou: pães e peixes para a multidão que o acompanhava; fez surgir uma abundância de peixes na rede dos pescadores ; transformou água em vinho, nas Bodas de Canaã.
As orientações que recebemos na Umbanda através da mediunidade de incorporação são importantes. Contudo, há outras formas de nos comunicarmos com a Espiritualidade e de trazermos esse aprendizado para a nossa vida.
Incorporar, “receber o Guia”, não é o mais importante. Fundamental é que nos dediquemos a assimilar as orientações e os exemplos dos Guias Espirituais e das Entidades que nos amparam, procurando entender-lhes o sentido para aplicá-los em nossa vida diária e ficando atentos para as intuições que eles nos dão, (que podem chegar como novas idéias, como sensações, até como perfumes e odores variados que, de repente, invadem o ambiente etc.)
Importante é “incorporar”, (assimilar e aplicar), o fundamento da mensagem, assim como a lição embutida no exemplo de conduta dos Guias Espirituais diante de um consulente ou de um médium “difícil”, buscando analisar o quanto aquilo pode ter aplicação útil em nosso dia-a-dia.
Espiritualidade não é algo para se viver apenas entre as paredes do Terreiro. É algo para vivermos “dentro de nós”, em silêncio, com naturalidade, sem alarde, sem roupa especial, sem dia marcado, sem que ninguém precise elogiar e aplaudir. É um caminho interno, é aprender a olhar tudo com os olhos da alma, porque isso vai nos ajudar a encontrar novas soluções, novas formas de viver e enxergar a vida “lá fora”.
Não tem sentido fazer as coisas para se receber elogios. O essencial é fazermos as coisas em que acreditamos, pelo bem que elas representam. Agir assim nos livra de muitas mágoas, de muitas bobagens… Espiritualidade é algo que nos ajuda a caminhar de mãos dadas com os outros, pelo prazer de ajudar e participar, apesar de sermos diferentes, apesar de pensarmos de forma diferente, apesar dos pesares…
Ser médium é ser veículo, canal, meio de comunicação. Dentro e fora do Terreiro.
A melhor forma de transmitirmos as mensagens do Astral é colocá-las na prática : em família, no trabalho, com os amigos, com os vizinhos, com as pessoas “difíceis”…
Espiritualidade é união, é a “incorporação”, (assimilação e aplicação), do verdadeiro sentido da vida : somos todos filhos de Deus, somos todos feitos de Luz, temos valores e méritos, mas também temos nossas limitações e lições a aprender.
Incorporar o Guia não é tudo, é apenas uma parte das infinitas possibilidades de aprendizado que a Vida nos concede, inclusive no campo mediúnico.
Portanto, no desenvolvimento mediúnico, não nos preocupemos apenas em girar, em rodar, para “mostrar que o Guia chegou”…  Na verdade, os Guias e Entidades chegam ali muito antes de nós, preparando o ambiente para o trabalho. Bom mesmo será a gente conseguir abrir o coração, para incorporar, (assimilar, absorver), os ensinamentos do Astral e colocá-los em prática.
E, se o Guia quiser incorporar, por favor : entregue-se, deixe, permita-se a experiência ! Não perca mais tempo se perguntando : “Será que sou eu, será que é o Guia…? Abra o coração ! Busque o contato com a Espiritualidade, que a resposta virá, do jeito que precisa e pode vir, sem dificuldade, naturalmente, e só por um motivo : somos seres espirituais !